Águas subterrâneas na Amazônia são tema de palestras no Preparatório para o Fórum Mundial da Água

Os usos prejudiciais dos recursos hídricos na capital amazonense foram apontados na última palestra do dia.

sexta-feira, 12 de maio, 2017 - 17:48
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Boa parte das águas subterrâneas existentes na bacia Amazônica sofre algum tipo de contaminação. O alerta foi feito pela coordenadora do curso de Meteorologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Jamile Dehaini, durante palestra “Métodos Geofísicos aplicados à Hidrogeologia e contaminação de Águas Subterrâneas”.
Segundo a palestrante, é na bacia Amazônica que se encontra as maiores formações detentoras de água subterrânea do mundo que, por sua vez, estão inseridas no volume de água doce do planeta, cujo percentual em relação ao total de recursos hídricos disponíveis no planeta representa em torno de 3%.
Por se tratar de uma região de grande volume de águas superficiais, a problemática envolvendo as águas subterrâneas chega a passar despercebida. “Falar de água subterrânea em uma região onde está localizada a maior bacia hidrográfica do planeta causa estranhamento, porém, são diferentes as fontes de contaminação dessas águas subterrâneas tanto na área urbana quanto na rural, gerando sérios problemas, com impacto inclusive na saúde populacional”, ressalta Dehaini.
A coordenadora explica que existe heterogeneidade no comportamento desses aquíferos e é imprescindível conhecer a fonte contaminante a fim de nortear ações necessárias. Métodos modernos com base na Geofísica, como é o caso da Eletrorresistividade e do Eletromagnético indutivo, podem ser aplicados nas investigações pela definição das fontes de contaminação de tal maneira a conseguir resultados mais precisos. Ela defende ainda a necessidade de maior preocupação com a gestão dessa fonte de recursos.
 
Sustentabilidade no fornecimento de água
A agenda da quinta-feira (11) foi encerrada com a palestra “Sustentabilidade no fornecimento de água: a importância de utilização da rede pública de abastecimento e a preservação da água do aquífero subterrâneo em Manaus”, ministrada por Pedro Scazufca, especialista nas áreas de pesquisa econômica, regulação, infraestrutura e modelagem de negócios, em parceria com engenheiro civil Álvaro Menezes.
A apresentação expôs em linhas gerais os usos prejudiciais dos recursos hídricos em Manaus e apontou soluções viáveis de sustentabilidade para a capital. “O objetivo da nossa palestra é buscar conexão entre sustentabilidade e prestação de serviços de saneamento”, comentou Menezes.
Como exemplo de problemas relacionados à utilização incorreta da água subterrânea na região, o engenheiro listou as seguintes consequências ambientais: rebaixamento do manancial em função da retirada da água em poços e poluição do lençol freático, especialmente quando a água contaminada dos igarapés infiltra no lençol e polui reservas subterrâneas.
Complementado a fala de Menezes, o especialista Scazufca relacionou uma série de problemas decorrentes do mau uso da fonte hídrica. “Causa danos ambientais, risco para a saúde, elevação de custos operacionais e maior custo para os usuários”, listou. Sobre esses dois desdobramentos, Scazufca explicou que as consequências econômico-financeiras estão relacionadas à baixa adesão da população ao sistema de água e esgoto, o que onera a conta daqueles que estão ligados ao sistema. “Essa é uma realidade em Manaus, onde muitos habitantes não estão conectados ao sistema de saneamento”.
De acordo com Scazufca, essa sobrecarga financeira é explicada porque são muito altos os custos fixos dos serviços de saneamento, como a infraestrutura e manutenção. Os custos variáveis, entre eles produtos químicos e energia, também são caros. A conta otimista que se faz é de que, quanto maior a adesão ao sistema, menor o custo por habitante. Sobre isso, o especialista lembrou que em muitos municípios embora exista a estrutura de saneamento, parte da população não se conecta a ela, o que impacta na sustentabilidade econômico-financeira do sistema público de saneamento.
No caminho das soluções, Scazufca traçou alternativas viáveis para o contexto manauara. “Maior envolvimento da sociedade na gestão dos recursos hídricos, gestão integrada dos serviços públicos de saneamento, aumento da adesão à rede pública, rigor na fiscalização de fontes alternativas, combate a irregularidades e investimento em uso racional da água são algumas sugestões”, sugeriu.
 
 
Julianna Curado e Lisângela Costa
Equipe de Comunicação do Confea e do Crea-AM

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