Alunos da UEA desenvolvem composto orgânico a partir de peixe

O resgate do composto orgânico a partir dos resíduos de peixes poderá garantir a sustentabilidade da agricultura familiar da Amazônia. A técnica utilizada há dois milhões de anos, mas pouco aplicada no Amazonas poderá revolucionar plantações de centenas de agricultores. O resgate surgiu a partir da parceria entre a empresa AAC Felix e o curso Tecnológico de Agroecologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ministrado em Parintins.

quarta-feira, 7 de outubro, 2009 - 12:16
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Depois dos alunos percorrerem vários frigoríficos do município de Parintins em busca de resíduos de peixes, o empreendedor Antônio Assis, 62, aceitou contribuir com a pesquisa dos alunos do curso dando um passo importante para agricultura familiar. Assis começou a designar o que é considerado descartado do peixe no processo de limpeza – víceras, pele e cabeça – e encaminhar para a unidade de Parintins.”Logo no começo, era apenas para ajudar os alunos com as pesquisas, hoje é um compromisso que eu tenho com o meio ambiente do meu município”. Segundo o empresário, antes todo o resíduo de peixe era jogado no lixão da cidade, agora tem um destino certo, a UEA/Parintins.
O compromisso de Assis, também pescador, vai mais além. Todo peixe comprado por sua empresa é proveniente de pescadores, legalizados pelo IBAMA, das comunidades Paraná de Parintins, do Meio Macuricanã, Lagos do Parananema, Aninga e Macurany, que trabalham com o despesque (área protegidas pelos pescadores para o cultivo e tratamento do peixe), o que contribui para a geração de 30 empregos indiretos e 10 diretos.
Após a doação das duas toneladas de resíduos por dia, entram em cena os alunos de Agroecologia da UEA. A técnica é simples, mas o processo é complexo e demorado. O resíduo de peixe é depositado em valas abertas no solo, “O processo de compostagem é aeróbico, onde camadas vão sendo montadas, primeiro o material seco como: folhas, castanhas, bagaços de cana, que atuam como o carbono e depois uma camada do resíduo de peixe, sendo ele o principal inoculante do composto orgânico”, explica Luiz Roçoda, 43, aluno do curso de agroecologia.
Depois de dois anos de pesquisas, Luiz informa, com brilho nos olhos, que o uso do composto orgânico é totalmente mineralizado, pronto para ser introduzido na terra sem nenhum tipo de agrotóxico que venha a modificar a genética do alimento. “O composto orgânico passa a ser um produto fitohormonal, que atua no processo de crescimento da planta e fitosanitário, que elimina bactérias patógenas que possam prejudicar o crescimento da planta”, completa.
A comunidade de São Pedro de Parananema é uma das beneficiadas do composto orgânico. Nas aulas práticas realizadas diariamente, os alunos recebem orientações dos agricultores tradicionais e repassam a técnica aprimorada por eles. Os resultados são brilhantes, segundo o senhor Manuel da Silva, 62, “o processo é cuidadoso e lento, 120 dias processando o composto, mas depois que ele está pronto para ser aplicado, pode ter certeza que as frutas e os legumes serão produzidos com maior rapidez e qualidade” afirma, Manuel.
Desbravador da comunidade de Parananema, Manuel vende nas feiras de Parintins os alunos produzidos a partir do composto e atualmente está fabricando o seu próprio adubo para a comercialização dos produtos. “Antes eu tinha que comprar o adubo, hoje eu estou produzindo para o meu consumo e da comunidade e vendendo para outros municípios, isso graça a contribuição dos alunos da UEA”.
Outro benefício extraído desta técnica é o adubo líquido que atua como Biofertilizante, bio-estimulante e um inseticida natural, que combate as pragas como: mosca branca, pulgões e formigas. Essas e outras técnicas estão sendo apresentadas no II seminário de Agroecologia do Baixo Amazonas, até a sexta-feira, 9, em Parintins.
Assessoria de Comunicação da Universidade do Estado do Amazonas

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