
A opção de cultivos permite ainda que possam ser realizados plantios em áreas mais acessíveis para extração do látex, facilitar o trabalho dos seringueiros e o escoamento da produção para indústrias. Outra diferença entre os cultivos e as árvores nativas, é o tempo para a sangria do látex. Enquanto na floresta as árvores ficam afastadas umas das outras e o serviço de sangria demora horas pela madrugada; no cultivo, as árvores ficam mais próximas entre si e o trabalho pode ser realizado em sequência de segundos. O projeto tem a coordenação da Embrapa Amazônia Ocidental e conta com ações integradas de extensão, pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, envolvendo como parceiros institucionais o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam) e a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror). Os 20 municípios contemplados com o projeto são Boca do Acre, Borba, Canutama, Carauari, Coari, Eirunepé, Fonte Boa, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã, Pauini, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga. Seringueiras resistentes O pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental e coordenador do projeto, Everton Cordeiro, destaca que as novas tecnologias incrementam a produção de borracha natural do Amazonas. “São realizadas através de plantios com seringueiras tricompostas resistentes ao mal das folhas, doença que prejudica o cultivo na região de floresta tropical úmida”, explica. A Embrapa Amazônia Ocidental irá capacitar os produtores atendidos pelo projeto com o intuito de torná-los detentores dessas novas tecnologias para a cultura da seringueira. As capacitações incluem o preparo de jardim clonal e viveiro, enxertia, produção de mudas tricompostas, manejo do seringal, técnicas de sangria, de coleta e de armazenamento de borracha natural. Uma das premissas do projeto é a melhoria da qualidade de vida dos agricultores por meio da elevação da produção de borracha natural no Estado. As áreas de plantio deverão ser de fácil acesso, em áreas já anteriormente degradadas, próximas as moradias dos trabalhadores envolvidos e de tamanho pequeno, em torno de 2 ou 3 hectares, a fim de garantir a uma família condição de desenvolver suas atividades rotineiras, ao tempo que lhes garantirá uma produção anual de borracha superior a 3 mil kg de borracha seca/ano. Para isso, serão plantadas seringueiras resultantes de combinações de clones de copa resistentes ao mal das folhas com o clone de painel (tronco) de maior produção e de melhor qualidade. Os jardins clonais (plantios formados com mudas de clones de matrizes selecionadas) começam a ser preparados no campo experimental da Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus. Uma capacitação inicial ocorreu em 2013 e estão previstas novas capacitações a partir do mês de março de 2014. Em todos os 20 municípios selecionados para a atuação do projeto serão instalados novos plantios de seringueiras resistentes ao mal das folhas. A escolha das áreas se dará pela ação conjunta entre os técnicos da Embrapa, Idam e Sepror em parceria com os produtores rurais atendidos. Com o apoio do Idam e Sepror serão estabelecidos os contatos com as comunidades e produtores identificados para o recebimento de assistência técnica e extensão rural, específicas para a heveicultura. Serão focados nos municípios selecionados, comunidades e produtores tradicionalmente ligados a atividade, bem como novas regiões dispostas ao cultivo da seringueira. O Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) foi consultado e manifestou interesse em apoiar o projeto, com assessoria e informações para a escolha de áreas e produtores. O projeto tem o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), selecionado em edital do Programa estratégico de transferência de tecnologias para o setor rural (Pro-rural). Sua vigência irá até agosto de 2016. No projeto, a Embrapa Amazônia Ocidental é responsável pela coordenação, capacitação técnica e fornecimento de material vegetal para a formação dos jardins clonais e plantios de novas áreas de seringueira. O Idam é responsável por assessoria, capacitação técnica e apoio de infraestrutura. A Sepror tem atribuições de assessoria, capacitação técnica e apoio logístico. Como equipe de apoio, o projeto conta com três Agentes de Transferência Tecnológica com nível superior completo em Engenharia Florestal ou Engenharia Agronômica e 17 Agentes de Transferência Tecnológica com nível médio completo em Tecnologia Florestal ou Tecnologia Agrícola. Essa equipe foi selecionada, priorizando residentes no próprio município ou que tenham disponibilidade de morar nesses locais visando a fixação do técnico após o término do programa e continuidade da atividade em cada município. Fonte: Portal Amazônia.com
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