
No final de maio, o Brasil recebeu da OIE (Organização Mundial da Saúde Animal), em Paris, o reconhecimento de áreas livres de febre aftosa sem vacinação aos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia, Mato Grosso, e em 14 municípios do Amazonas: Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini, Guajará, Envira, Eirunepé, Ipixuna, Itamarati e parte de Tapauá. Esta conquista fortalecerá a economia desses estados e vai ampliar o mercado brasileiro.
Vale destacar que a febre aftosa, embora não cause problemas ao ser humano, pode reduzir fortemente a produtividade do rebanho e a credibilidade sanitária do país.
Dados econômicos do setor
Em estudo divulgado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) foi constatado que o Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, com 217 milhões de cabeças em 2020, representando 14,3% do rebanho mundial, seguido pela Índia com 190 milhões e Estados Unidos com 93 milhões de cabeças.
Ainda, de acordo com o estudo, o Brasil ocupou o posto de maior exportador de carne bovina para o mundo, com 2,2 milhões de toneladas, que equivalem a 14,4% da exportação mundial, seguido pela Austrália (12%), EUA (9,8%) e Índia (9,5%). E foi também o segundo maior produtor de carne bovina, com 10 milhões de toneladas, equivalentes a 14,8% do total mundial, superado apenas pelos Estados Unidos com 17,6%.” Já 87% da carne bovina produzida no Brasil é consumida pelo mercado interno.
A exportação de carne bovina representa 6% do PIB brasileiro (Produto Interno Bruto); ou seja, o mercado exportou US$ 7 bilhões de carne bovina em 2020 e US$ 106 bilhões nas duas últimas décadas. Apesar de ter sido o maior exportador em termos de volume, o Brasil encontra-se na terceira colocação em valor, atrás dos Estados Unidos, com US$ 8,5 bilhões, e a Austrália com US$ 8,1 bilhões.
Esta mudança do status sanitário abre a possibilidade do aumento da participação mundial da pecuária brasileira não em quantidade, mas em valores, pois o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação coloca esses estados em outro patamar, com acesso a mercados como Japão e Coreia do Sul, (terceiro e quarto maiores importadores mundiais de carne bovina) que pagam até 50% a mais pelos produtos com esse “selo” de qualidade.
A expectativa é que o país esteja livre da aftosa sem vacinação até 2026, conforme meta prevista no PNEFA (Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa).
(Fontes: Min.Agricultura, Forbes e SEPROR-AM/ foto: divulgação CNA)




