Lobato, que tem vasta experiência em exploração e interpretação sísmica em todo o mundo (Brasil, China, Filipinas, Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, Colômbia, Venezuela, entre outros), trabalha atualmente no Consulado Geral do Brasil em Houston e é consultor sênior em geofísica.
Segundo Fabiano Lobato, “O aproveitamento econômico dos recursos minerais da Amazônia, por meio da energia dos hidrocarbonetos, poderia trazer grandes benefícios para o Brasil”. Ele conta que em 1972 fez um apanhado sobre hidrocarbonetos no Brasil. A pesquisa motivou a Shell Oil Company a trabalhar no país. Naquela época, a Shell descobriu o campo de Merluza, que está em produção há mais de 20 anos e, recentemente, a Companhia (com 50% de participação), junto com a Petrobras (35%) e a ONGC Campos (15%), colocou em produção o Parque das Conchas (BC-10).
Numa linguagem bastante técnica, ele explica que, num trabalho desenvolvido por ele nos Estados Unidos, foi utilizado o método de deconvolução controlada por autocorrelogramos para definir recifes na bacia permiana no Texas. “Este mesmo método teria aplicação no Amazonas para definição de dunas e possíveis depósitos de silvinita”, explica.
No contexto do desenvolvimento sustentável da Amazônia, Lobato afirma que o papel do Brasil para a concretização da proposta de redução da emissão de gases está associado à redução das queimadas e devastação da floresta, bem como ao sequestro de gás carbônico nas usinas. Segundo ele, a opção pelo uso de termelétricas nos campos de petróleo para melhoria da recuperação de óleo e gás natural também seria uma boa prática. “O gás carbônico é obtido nas usinas termelétricas por separação dos gases emitidos. Os Estados Unidos e o Canadá já atingiram uma meta de 80% de recuperação. A combinação de fraturamento dos folhelhos e injeção de CO2 aumentaria a recuperação de hidrocarbonetos no Amazonas”, explica.
Em relação à tendência mundial pela utilização de energias limpas e, no caso brasileiro, a descoberta da camada de pré-sal, Lobato diz que tudo é controlado pelos custos. “Todas as formas de energia serão necessárias”, afirma. “Acontece que nas próximas décadas, carvão, óleo e gás natural terão participação predominante. Com o esgotamento das reservas conhecidas, há necessidade de crescimento da exploração de petróleo”. Segundo ele, “a camada de pré-sal é uma contribuição importante para novas reservas. Existe um potencial imenso nas camadas de folhelhos – que já estão em início de aproveitamento nos Estados Unidos e Canadá e produzem cerca de 8% do gás natural -, e isso deverá ser incrementado eventualmente no resto do mundo”.
Ainda no contexto do desenvolvimento sustentável, ele ressalta que a dicotomia entre desenvolvimento e meio ambiente é fator importante e deve ser considerado na avaliação de qualquer projeto. “No caso particular da Amazônia, as áreas de atividade de aproveitamento de recursos minerais são ínfimas em relação à área total. Além disso, nas áreas de Trombetas e Urucu, o reflorestamento com árvores frutíferas nativas acabam melhorando a floresta para pássaros e outros animais. O que tem de ser investigado é o benefício econômico comparado com a deterioração do meio ambiente. Desenvolvimento e poluição estão intimamente ligados e a escolha não é fácil”, conclui.
Saiba mais sobre o evento, que será realizado de 2 a 5 de dezembro em Manaus, pelo site www.soeaa.com.br.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Confea
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