
As áreas úmidas da Amazônia têm alto valor em comparação a outros ecossistemas, como áreas para produção de pesca, pecuária, agricultura e silvicultura. Estes ambientes atuam como tampões no ciclo hidrológico da região, uma vez que atuam como barreiras contra incêndios, estocam carbono (CO2), limpam a água e ajudam a preservar a biodiversidade – são habitats para plantas e animais. As informações são do projeto ‘Caracterização, classificação e avaliação do potencial de uso como base para uma política do manejo sustentável das áreas úmidas do Estado do Amazonas’, coordenado pela cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Maria Teresa Fernandes Piedade.O projeto foi desenvolvido via Programa de Apoio a Núcleos de Excelência em Ciência e Tecnologia (Pronex), por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). A pesquisa teve início no primeiro semestre de 2007, finalizou em 2011 e consistiu em conhecer e classificar as áreas úmidas e alagáveis. Os levantamentos foram feitos em rios da Amazônia. O grupo de pesquisa identificou propriedades físicas e químicas da água, composição das espécies de vegetais e as formas de uso compatíveis para esses ambientes. “Os dados do trabalho podem ajudar a planejar e orientar as políticas públicas de manejo sustentável do Estado”, pontuou.No total, foram realizadas onze grandes expedições que cobriram municípios do Amazonas, como Tabatinga, Tefé e Santa Isabel do Rio Negro, distantes, respectivamente, 1.105 km, 575 km, e 846 km, além de outros pontos. Os pesquisadores cobriram os rios Japurá, Juruá, Negro e Tapajós. Ela destacou a importância da visita feita ao Rio Tapajós, uma vez que é um sistema de águas claras, o qual serviu de contraponto para os estudos, especialmente de vegetação. “Foi possível comparações mais precisas com os demais tipos de ambientes”, lembrou.Os dados são relevantes, de acordo com Piedade, porque estimativas indicam que 25% da Amazônia pertencem à categoria de áreas úmidas, são áreas de grandes extensões, com diferentes tipos e características. Consequentemente, afeta o potencial produtivo desses sistemas e o potencial econômico para a população. Ela explicou que, antes, não existiam levantamentos detalhados nem uma classificação destas áreas.Os resultados indicam que, como as áreas úmidas são ambientes onde as águas predominam um período longo do ano, essa característica ajuda a conter comunidades de plantas e animais específicos do local. Mas a pesquisadora alertou que esses lugares não podem ser confundidos com locais onde chove com frequência. Com a pesquisa também foi possível refazer a tipologia das áreas úmidas e alagáveis e refinar a classificação dentro de vários parâmetros, como físico químico, condutividade e pH, além de identificar os tipos de coberturas vegetais desses ambientes.“Atualmente, estamos elaborando uma tipologia para igapós e várzeas para poder destacar as diferenças dentro do mesmo de áreas úmidas. Pretendemos indicar as diferentes formas de uso pelo homem para cada uma delas”, informou.Fonte: Portal Amazônia.
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