
Cientistas de Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, a pedido do Fórum Rosenberg sobre Políticas da Água, publicaram um relatório no qual mostram que a bacia do Mackenzie está em perigo pela mudança climática e o desenvolvimento industrial, o que pode ter consequências globais. O professor Henry Vaux, presidente do Fórum Rosenberg, disse que a temperatura média da bacia do Mackenzie já aumentou mais de 2 graus centígrados, número estipulado pela comunidade internacional como o limite que deveria ser ultrapassado para lutar contra a mudança climática. “A preocupação é que a combinação de um desenvolvimento desequilibrado junto com a mudança climática vai tornar a bacia menos resistente e mais instável”, disse Vaux. “Isto é importante porque a bacia é um recurso continental que proporciona benefícios a povos que estão em regiões muito afastadas do norte do Canadá, seja por meio de aves migratórias, moderação do clima ou correntes oceânicas” acrescentou. Vaux explicou que os cientistas acreditam que o rio Mackenzie, que é considerado como “o Amazonas do Norte”, tem influência sobre as correntes oceânicas. “As correntes dependem em grande medida do que acontece na desembocadura do Mackenzie, quando suas águas se misturam com as do oceano Ártico”, explicou. Atualmente o Mackenzie, que tem uma longitude de quase 1.800 quilômetros, deposita 10,3 milhões de litros de água no oceano Ártico a cada segundo e 100 milhões de toneladas de sedimentos por ano. “Mudanças na direção, a magnitude do fluxo e as temperaturas de correntes globais terão provavelmente significantes implicações no clima de todo o mundo”, continuou. A chave que determina em grande parte o clima é a diferença que existe entre as temperaturas no norte do planeta e no equador. “Sabemos que o clima, pelo menos no hemisfério norte, está determinado parcialmente pelas diferenças na temperatura entre o equador e as latitudes mais setentrionais. As diferenças estão diminuindo, o que terá implicações não só no clima da América, mas no mundo todo”, comentou Vaux. O cientista ressaltou que a perda da camada de gelo que cobria quase por completo o oceano Ártico é parte do problema. “Em parte está relacionado com o desaparecimento da camada de cobertura de gelo do Ártico. Assim que desaparece essa cobertura, menos energia é refletida para o espaço e mais energia é absorvida pelas águas. Esse é o mecanismo que está fazendo com que as temperaturas do Ártico aumentem”, explicou.Fonte: Ciência em Pauta
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