
Inaugurada nesta quarta-feira (8) na Islândia, Orca, a maior planta industrial de captura direta de ar do planeta, promete sugar toneladas de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Usinas como essa têm sido promovidas por líderes mundiais e corporações gigantes, como a Microsoft, em uma tentativa de apagar seu legado de poluição por gases de efeito estufa.
De acordo com o site The Verge, a usina Orca está estrategicamente localizada para testar a tecnologia emergente. A nova planta, construída pela empresa suíça Climeworks, é alimentada por energia renovável de uma usina geotérmica próxima.
A Climeworks também planeja bloquear o CO2 capturado em formações de rocha basáltica a apenas três quilômetros da usina geotérmica. É um plano de armazenamento que pode contornar a necessidade de novos dutos de dióxido de carbono controversos. “Vai ser, eu acho, um caso de teste interessante”, diz David Morrow, diretor de pesquisa do Instituto de Leis e Políticas de Remoção de Carbono da Universidade Americana. “Mas também é uma espécie de passo de bebê no grande esquema das coisas”.
Segundo a Climeworks, Orca (palavra islandesa para energia) será capaz de extrair 4 mil toneladas de CO2 anualmente. É mais ou menos o quanto 790 veículos de passageiros podem bombear em um ano – não muito, embora seja a maior operação desse tipo no mundo.
Maior usina de filtragem de ar é surpreendentemente compacta
É interessante perceber que, apesar de ser a maior do mundo no ramo, Orca é surpreendentemente compacta. A Climeworks usa um método denominado captura direta de ar sólido para absorver o CO2.
Funciona da seguinte forma, basicamente: os ventiladores sugam o ar, que passa por um filtro absorvente sólido especial, e esse filtro retém o dióxido de carbono.
Em entrevista ao The Verge, a Climeworks não entrou em muitos detalhes sobre como seus filtros funcionam em uma entrevista, limitando-se a dizer que usará uma base para atrair CO2, que é levemente ácido, e que quando o filtro estiver totalmente saturado, é hora da segunda etapa do processo. Então, a unidade aquece o filtro a cerca de 100ºC, que libera o dióxido de carbono preso.
CO2 captado do ar é misturado com água e injetado na terra
Depois que o CO2 é separado do ar, ele segue através de canos para um prédio adjacente, onde é misturado com muita água – cerca de 27 toneladas do líquido para cada tonelada de dióxido de carbono.
Essa lama então viaja a apenas algumas centenas de metros de distância, antes de ser injetada profundamente no solo. A água carbonatada reage com a rocha basáltica, criando minerais carbonáticos. Após dois anos, o que antes era uma espécie de água com gás torna-se rocha sólida.
Há uma parceria da Climeworks com a empresa Carbfix para manter o CO2 capturado em segurança nas formações de rocha basáltica da Islândia. As duas empresas já experimentaram isso em um projeto piloto, mas o Orca é a primeira operação em escala comercial da dupla.
As duas outras usinas de captura direta de ar em escala comercial da Climeworks transformam o dióxido de carbono em um produto usado como fertilizante ou em refrigerantes. Esse CO2 escapa de volta para a atmosfera com relativa rapidez. Mas, preso na rocha, a Carbfix acredita que o CO2 capturado por Orca pode ser mantido em segurança por milhares de anos.
Fonte: Olhar Digital




