Conheça o sanitarista Rainier Pedraça de Azevedo e saiba mais sobre a profissão em tempos de Covid-19 e o Congresso Brasil Norte no Amazonas

A região norte tem um dos piores índices em cobertura e tratamento de água, bem como de coleta e tratamento de esgoto no Brasil, sendo o profissional sanitarista responsável por orientar a população e proporcionar um saneamento adequado, conversamos com Rainier Pedraça especialista em engenharia de saúde pública com mais de 30 anos de experiência na área.


A saúde pública pode ser entendida como a ciência usada para prevenir a doença, prolongar a vida e promover a saúde, nesse sentido, a oferta de saneamento básico como água potável facilita para que tenhamos a higiene necessária para uma vida mais saudável. É fato que, nesse quesito, ainda vivemos com grande precariedade no Amazonas, principalmente nas comunidades rurais. O engenheiro sanitarista é o responsável por aplicar os princípios da engenharia à prevenção, ao controle e à gestão dos fatores ambientais que afetam a saúde do homem, assim como os trabalhos e processos envolvidos na melhoria de qualidade do ambiente.
Visto que a atual situação sanitária e ambiental da região Norte como um todo, é uma das piores em índices de tratamento de água e coleta de esgoto no Brasil, conversamos com Rainier Pedraça, Engenheiro Civil, especialista em Engenharia de Saúde Pública e mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade, com 32 anos de experiência na área da Engenharia Sanitária, atuando principalmente com saneamento básico, hoje é presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), Seção do Amazonas. 
“Ao trabalhar com saneamento na Amazônia, em especial no estado do Amazonas, pude deparar com a dura realidade sanitária existente na região, principalmente nas comunidades rurais, as mais carentes de saneamento básico, seja pela falta ou deficiência de um sistema de água potável e pela inexistência de um sistema coletivo de esgotamento sanitário.”
É o profissional sanitarista quem nos ajuda a lidar com doenças evitáveis pelo saneamento de maneira adequada, como por exemplo: implantando sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário coletivo e individual; manejo de resíduos sólidos e ambiental em macrodrenagem, no controle de malária e, no apoio e gestão a serviços municipais de saneamento básico.
Responsável por orientar a população sobre os cuidados necessários e quais medidas a serem seguidas para evitar a propagação de doenças, principalmente aquelas, que precisam de uma higiene e saneamento adequado. Perguntamos a ele sobre o atual cenário em que estamos vivendo, com a pandemia “Em tempo dessa epidemia é importante e recomendável que sigamos as orientações das autoridades sanitárias. Individualmente devemos seguir as recomendações preventivas massivamente divulgadas, como por exemplo, a higienização das mãos com água e sabão e, coletivamente o isolamento tem se mostrado eficiente em diversos países.” Completou afirmando que o saneamento e a higiene andam juntos e são aliados da saúde pública. “A higiene sem saneamento praticamente não existe e tomando apenas com exemplo da lavagem das mãos com sabão, precisamos de água abundante em qualidade e quantidade. Nesse aspecto, devemos dar especial atenção e garantir a qualidade dos serviços de abastecimento público de água, um dos importantes pilares do saneamento básico no país e, naturalmente, sem descuidar dos demais pilares também.”
Ao ser questionado sobre os caminhos para melhorar a realidade do saneamento, não só no Amazonas, mas em todo Brasil, Rainier nos diz que segundo dados oficiais, a região norte é a que menos oferece serviços de saneamento à sua população, e que no geral, é necessário planejar e integrar as ações, já preconizadas em lei. “Devemos melhorar a qualidade da gestão dos serviços, minimizando os desperdícios que são muitos; investir corretamente os poucos recursos disponíveis para o setor e principalmente vontade política para mudar esse triste quadro que persiste em boa parte do Brasil.”
Em agosto desde ano está programado para acontecer em Manaus, um grande evento para o setor, o II Congresso Brasil Norte, evento de alcance nacional, que irá reunir autoridades e profissionais da área que poderão levar projetos de melhoria para o ambiente. Este que prevê trazer a tona debates importantes para o setor e principalmente para a região. Perguntamos a Pedraça suas expectativas e a importância desse evento ser sediado a capital amazonense.
Quais são suas expectativas para o II Congresso Brasil Norte que está programado para acontecer em agosto?
O tema principal do evento é “Avançar e vencer os desafios para universalizar o saneamento na Amazônia”, portanto, nossa expectativa que nosso congresso amplie o debate sobre a atual situação sanitária e ambiental da região Norte, uma das piores em índices de tratamento de água e coleta de esgoto no Brasil.
Cabe reforçar que um dos pontos de destaque do Congresso tratará dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), principalmente, quanto ao objetivo 6, que visa assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e esgotamento sanitário para todos até 2030.
Qual a importância desse congresso, de alcance nacional, ser sediado em Manaus? 
Eu gosto sempre de falar que Manaus é o cenário perfeito para a realização desse evento e, após 41 de ausência voltará a receber um congresso da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES.
O II congresso Brasil Norte de Engenharia Sanitária e Ambiental, mesmo que de cunho regional, tem alcance nacional e prevê debates importantes para o setor e a Região, com a participação de representantes de governo, gestores, profissionais do setor, educadores, pesquisadores de diferentes áreas, estudantes e demais segmentos da sociedade interessados nesse tema.
Devido ao coronavírus, o congresso vai sofrer alguma alteração?
Antes da pandemia do coranavírus os preparativos do evento estavam a todo vapor, mas agora temos que reavaliar, pois o cenário mudou completamente, variáveis como: manutenção dos patrocínios e apoios; alteração do calendário das universidades; possibilidade de conflitos de datas com outros eventos similares no país; disponibilidade dos palestrantes para as datas previstas; conjuntura econômica e social, entre outros fatores que impactam na realização do Congresso deverão ser ponderados pelo Comitê Organizador sobre a factibilidade realização do evento na data programada.

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