CREA-AM participa de audiência pública sobre a privatização da Amazonas Energia

A audiência foi realizada nesta quarta-feira, no prédio anexo à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), com a participação de representantes de várias entidades.

quinta-feira, 17 de março, 2016 - 17:45
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O plano de privatização da concessionária local de energia elétrica, a Eletrobras Amazonas Distribuidora, foi o tema de audiência pública nesta quarta-feira (16), na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Alertas sobre possíveis demissões e aumento de tarifa com a privatização foram feitos durante a sessão.   O diretor financeiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM), engenheiro eletricista Wenceslau Abtibol, representou a autarquia na audiência, proposta pelo deputado estadual Luiz Castro (Rede), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia (Caama) e que reuniu também representantes dos setores da indústria, do Ministério Público Federal, Eletrobras, sindicatos e outras instituições. Na abertura dos trabalhos, o deputado Luiz Castro argumentou que a privatização deverá afetar especialmente as fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e os municípios do interior. “Será prejudicial para o desenvolvimento socioeconômico do Estado, principalmente para as cidades do interior que necessitam do serviço de energia elétrica para as implantações das políticas públicas em prol da população mais carente”, assinalou. O presidente da Eletrobras Amazonas Distribuidora, Antônio Carlos Paiva, destacou que, em dezembro passado, estava prevista uma reunião da Assembleia Geral de Acionistas e havia uma pauta a ser discutida que seria a privatização da empresa. “A pauta foi retirada pela União, que é o acionista majoritário, e depois saiu a Medida Provisória postergando por 210 dias; portanto, a nova reunião deve ocorrer no dia 26 de julho deste ano e, ate lá, não sabemos o novo posicionamento da União; o trabalho que estamos fazendo agora é o de gestão da empresa”, disse. Além da Amazonas Distribuidora de Energia, governo teria a intenção de vender a Energética do Piauí (Cepisa), a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), a Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), a Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) e a Boa Vista Energia S.A. Até o momento, somente a distribuidora de Goiás já foi privatizada, de acordo com o informado na audiência. Diretor Financeiro do CREA-AM, Wenceslau Abtibol (primeiro da direita para a esquerda). O diretor financeiro do CREA-AM, Wenceslau Abtibol, ressaltou que, na condição institucional, o Conselho precisa ter acesso a uma quantidade maior de informações para se posicionar em relação ao Plano de Privatização, incluindo as opções para a reestruturação da empresa nos campos político e econômico, os investimentos, além das considerações em relação às possibilidades de demissões de profissionais e aumento de tarifa. Abtibol lembrou também que a situação econômico-financeira tanto da concessionária amazonense como outras no País não é confortável, algumas com alto endividamento. “São muitas as variáveis que compõem o quadro de uma empresa distribuidora de energia e que precisam ser consideradas para não se colocar em risco a capacidade dessas companhias de responder às demandas do consumo, cada vez mais crescente”, destacou Abtibol. “Esperamos que seja o melhor para  a sociedade e para os consumidores e que tenhamos uma tarifa que seja condizente com a realidade atual; queremos uma melhoria da qualidade desse fornecimento e mais confiabilidade do sistema elétrico”, acrescentou. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas (Stiuam), Edney Martins, que também é conselheiro do CREA-AM, alertou que haveria um aumento na tarifa com a privatização. “No Maranhão, a concessionária já foi vendida três vezes e o valor cresceu 420%, nos últimos anos”, afirmou. Outra questão levantada pelo sindicalista é de que o processo de privatização acarretaria em demissões para os trabalhadores do setor elétrico. “No primeiro ano, 40% de demissões do quadro próprio; no segundo ano, mais 30% e, no terceiro, a empresa privada renovou toda a mão de obra”, completou Martins. O presidente do sindicato apresentou ainda uma denúncia sobre o interesse de dois grupos empresariais da China em adquirir a distribuidora de energia do Amazonas: “Quando anunciaram que iriam vender as seis distribuidoras houve um alvoroço de grupos empresariais pra comprar essas distribuidoras, entre eles dois grupos chineses – State Grid e Three Gorges – que afirmaram comprar a distribuidora do Amazonas pelo preço que for; por que empresas chinesas querem comprar uma empresa deficitária, com prejuízo de mais de R$ 1 bilhão por ano? Eles terão acesso a 104 localidades do interior do Estado e a toda a nossa biodiversidade; vão entrar e sair da Amazônia sem dar satisfação a ninguém”, alertou.VENDA DA CELG Seis grupos devem participar da licitação da distribuidora de energia de Goiás, Celg D, prevista para ocorrer este mês. Para o presidente da empresa, Silval Zaidan, o preço mínimo para a venda da distribuidora será de R$ 2,8 bilhões, mas o comprador deverá também arcar com as dívidas da empresa, que somam cerca de R$ 2,5 bilhões. A Celg D atende a 2,61 milhões de unidades consumidoras em Goiás e é responsável pelo atendimento de 237 municípios do estado, o que corresponde a mais de 98,7% do território goiano. A Eletrobras afirmou ainda que suas distribuidoras de energia elétrica que atendem o Amazonas, Piauí, Alagoas, Acre, Rondônia e Roraima precisariam de uma capitalização de R$ 3,3 bilhões, em 2016, para atender metas estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e não perder a concessão, segundo a agência Reuters.   Informações: Aleam, Agência Brasil e Reuters.   Rosângela Azedo Edição de Texto: Acyane do Valle Fotos: Rosângela Azedo Assessoria de Comunicação do CREA-AM (92) 2125-7127 [email protected]

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