CREA participa da Operação Silvestres Urbanos

A operação, coordenada pelo Ibama, tem a participação do CREA-AM e da Semmas, e vai até o final da semana. O principal objetivo é avaliar os impactos ambientais das obras realizadas próximo e dentro de áreas de preservação permanente e se as medidas mitigadoras para a proteção do sauim-de-coleira estão atingindo os resultados esperados.

terça-feira, 20 de janeiro, 2015 - 09:50
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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começou ontem uma operação para fiscalizar os empreendimentos comerciais, industriais e residenciais de Manaus que estão sendo construídos próximo ou dentro das áreas de preservação permanente (APP), onde há ocorrência do macaco sauim-de-coleira (Saguinus bicolor). O animal, considerado símbolo da capital amazonense, saiu da categoria “ameaçado de extinção” para “perigo crítico de extinção”, de acordo com a última listagem divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, em dezembro passado. O agravamento da sobrevivência da espécie motivou essa operação, como informou o chefe da Divisão Técnica do Ibama, Geandro Guerreiro. “Estamos vistoriando as áreas de expansão urbana com a intenção de verificar se estão causando danos à população do sauim-de-coleira e se foram adotadas as medidas de proteção de modo a reduzir o impacto na espécie”, explicou Guerreiro. Esse trabalho está sendo realizado em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) e com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), começou ontem e vai até sexta-feira nas regiões localizadas entre as seis áreas de APP de Manaus, com registro de ocorrência do primata: Corredor do Mindu, Distrito Industrial, Tarumã, Ponta Negra, Ramal do Brasileirinho e Reserva Ducke. O agente fiscal do CREA-AM, Jhonny Bonatto, informou que nesse primeiro dia de operação foram detectadas três áreas de aterro ao lado da reserva Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, na Zona Leste, provavelmente clandestinas porque não havia qualquer tipo de identificação da obra; e também duas grandes áreas desmatadas, cortando parte da reserva, também sem identificação. “Marcamos os pontos georreferenciados das áreas e, a partir daí, solicitaremos à Prefeitura de Manaus, órgãos ambientais e também à Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) informações que nos permitam identificar os proprietários e verificar se as documentações emitidas estão dentro do que determina a legislação e se foram feitas por profissional habilitado do CREA e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) para aquela finalidade”, acrescentou Bonatto. As equipes de fiscalização também constataram, na manhã de ontem, a existência de lixeiras clandestinas dentro da área de preservação Sauim-Castanheiras. “Como trata-se de uma área isolada, tem servido ainda para o descarte de lixo doméstico e resíduos de obra”, completou Bonatto, ressaltando que, por orientação do novo presidente do conselho, Cláudio Guenka, a participação da equipe de fiscais se dará durante todo esse processo e a autarquia federal estará em permanente colaboração com o Ibama e demais órgãos ambientais em ações como essa. CONDOMÍNIOS Os condomínios localizados próximos às áreas de preservação permanente também serão fiscalizados. Os fiscais irão verificar se esses empreendimentos obedeceram à legislação e promoveram as medidas mitigadoras para reduzir o impacto nas populações desses primatas. “Vamos fazer uma fiscalização orientativa e preventiva, analisando se o projeto e execução dos empreendimentos estão de acordo com o que manda a legislação e se têm a participação de profissionais habilitados do CREA/Confea, com a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)”, frisou Jhonny Bonatto. Pesquisadores apontam que a pressão urbana sobre essas áreas agrava a condição de vida do sauim-de-coleira, que também fica cada mais exposto a atropelamentos e choques na rede elétrica. SAUIM-DE-COLEIRAEsse pequeno macaco também é chamado de Sagui-de-duas-cores ou Sauim-de-coleira. Ele mede 23 cm de corpo e 38 cm de cauda, aproximadamente, e seu peso é por volta de 450 gramas. Seu nome científico, Saguinus bicolor, é porque ele tem duas cores. Com exceção do dedo polegar, suas unhas são como garras bem afiadas, apropriadas para escalar árvores. A ocorrência desses animais é concentrada em Manaus, no Amazonas.Acyane do Valle Assessoria de Comunicação do CREA-AMFone: 92-21257127Email: [email protected]

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