Entenda o que é a biodiversidade e o que representa para o planeta

Termo ´biodiversidade´ descreve ao mesmo tempo a variedade de todas as espécies e também a de ecossistemas do planeta.

segunda-feira, 11 de agosto, 2014 - 15:23
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Um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), realizado em 2011, estimou que o total de espécies na Terra é de 8,7 milhões, com uma margem de erro de mais ou menos 1,3 milhões. Cerca de 6,5 milhões destas espécies são encontradas na terra e 2,2 milhões nos oceanos. O relatório também mostrou que 86% de todas as espécies terrestres e 91% das marinhas ainda não foram descobertas, descritas ou catalogadas. Este censo é o mais recente e seria o cálculo mais preciso já oferecido. Este é o atual panorama da biodiversidade.Biodiversidade ou diversidade biológica é o grau de variação de vida. O termo pode ser entendido de várias formas, já que descreve ao mesmo tempo a variedade e a riqueza de todas as espécies (diversidade de espécies), a variedade dos genes contidos dentro de cada indivíduo de tais espécies (diversidade genética) e também a variedade de ecossistemas dentro de uma área, bioma ou do próprio planeta (diversidade de ecossistemas).A expressão “diversidade biológica” começou a ser usada no início dos anos 80, graças às publicações que discutiam as implicações do crescimento populacional e econômico irrestritos sobre o meio ambiente. A origem específica da palavra “biodiversidade”, uma contração de “diversidade biológica”, é comumente atribuída ao botânico estadunidense Walter G. Rosen, durante seu planejamento para o “Fórum Nacional sobre a Biodiversidade”, ocorrido no final de 1985. Os trabalhos do fórum foram publicados três anos mais tarde pelo acadêmico E. O. Wilson no livro “Biodiversidade”, o que acabou por popularizar o termo.Os riscosSua importância está no fato de que é ela que sustenta o funcionamento dos ecossistemas e dos serviços ambientais que eles prestam. A perda de biodiversidade tem aumentado de forma alarmante (cerca de 8.700 espécies desaparecem por ano) e esta perda ameaça o fornecimento de bens e serviços dos quais a humanidade depende para a sua própria sobrevivência, uma vez que não só a economia mundial, mas também as necessidades básicas dos povos, dependem de recursos biológicos.As principais ameaças à biodiversidade global são a destruição de habitats, a introdução de espécies exóticas e espécies invasoras, a poluição genética (técnicas de hibridização para aumentar o rendimento da agricultura e da pecuária; cultivos transgênicos), a exploração insustentável de recursos naturais (caça excessiva, desmatamento excessivo, má conservação do solo na agricultura e o comércio ilegal de animais silvestres), as mudanças climáticas (efeito estufa e aquecimento global) e a superpopulação humana.Diante deste quadro, com vistas a atrair atenção ao tema e promover ações de conservação, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou os anos de 2011 a 2020, como a Década da Biodiversidade.SobrevivênciaOutra característica da biodiversidade é: ela não é distribuída uniformemente pelo planeta. Ela depende de fatores como a temperatura, precipitação, altitude, solos, geografia, presença de outras espécies e história evolutiva. Existem regiões do globo onde há mais espécies que em outras e estas regiões estão concentradas nos trópicos.Como a disponibilidade energética (energia solar) é maior no equador que nos pólos, quanto maior a latitude, menor é o número de espécies. Essa regra, no entanto, só se aplica à biodiversidade terrestre visto que o mesmo não se verifica nos ecossistemas aquáticos. Ainda há muito a se aprender sobre esses ecossistemas, especialmente os marítimos.Hot spotsUm ponto crítico ou hot spot (‘ponto quente’, em inglês) de biodiversidade é uma região com um importante reservatório de biodiversidade (alta incidência de espécies endêmicas, ou seja, específicas de uma determinada região), que está sob ameaça dos impactos ambientais causados pela ação humana. A maioria deles se localiza nos trópicos.Hotspots são um método para identificar as regiões do mundo onde é preciso atenção para lidar com a perda de biodiversidade e para orientar os investimentos em conservação. O conceito, criado pelo ambientalista inglês Norman Myers em 1988, foi adotado pela organização Conservação Internacional (CI) como um projeto institucional. A partir de 1989, a CI passou a conceder de subsídios para organizações não-governamentais e do setor privado comprometidas a ajudar a proteger hotspots de biodiversidade.Hoje são reconhecidos 35 hotspots de biodiversidade. Estas áreas já perderam pelo menos 70% de sua cobertura vegetal original. Neles estão abrangidos um número elevado de espécies endêmicas, embora sua área total corresponda a apenas 2,3% da superfície do planeta. Mais de 50% das espécies de plantas do mundo e 42% de todas as espécies de vertebrados terrestres são endêmicas destes hotspots que incluem locais como o Himalaia e o Caribe, as regiões do Cerrado e da Mata Atlântica no Brasil, Madagascar, na África e as montanhas do Cáucaso, na Eurasia.Para se qualificar como um hotspot de biodiversidade, a região deve atender a dois critérios: deve ter pelo menos 1.500 plantas vasculares endêmicas, isto é, uma alta porcentagem de plantas não encontradas em outros lugares do planeta. E deve ter 30% ou menos de sua vegetação natural original. Em outras palavras, deve ser considerada ameaçada.Fonte: Portal Amazônia

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