Estaca pré-fabricada de concreto terá norma própria

Projeto, que em breve entrará em consulta pública, levou dois anos para ser elaborado pelo comitê de estacas pré-fabricadas de concreto da Abcic

quinta-feira, 20 de junho, 2013 - 10:55
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Depois de dois anos de debates dentro de um dos comitês da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) a primeira norma que vai tratar exclusivamente de estacas pré-fabricadas de concreto está pronta para ir a consulta pública. O CB-18 – Cimento, Concreto e Agregados, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) está em fase de definição do número da norma e a expectativa é que a partir de julho de 2013 a nova NBR entre em discussão nacional. Nova norma foi detalhada durante seminário da Abcic, no Construction Expo 2013. Segundo o engenheiro civil Luís Fernando de Seixas Neves, secretário da comissão técnica da ABNT que trabalhou no conteúdo da nova norma, os objetivos são promover a qualidade das estacas pré-fabricadas de concreto, no que diz respeito à matéria-prima, aos parâmetros, ao controle de qualidade, ao manuseio de estocagem, ao transporte e à qualidade do material de suporte. O projeto tem como referência as NBRs 6118 (Projeto de estruturas de concreto – Procedimento) 9062 (Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado) e 6122 (Projeto e execução de fundações) que até que a nova norma entre em vigor seguem regulamentando o produto. O anúncio de que as estacas pré-fabricadas de concreto terão uma norma exclusiva ocorreu no dia 6 de junho de 2013, durante o painel da Abcic, dentro do Construction Congresso – evento simultâneo ao Construction Expo, que aconteceu recentemente em São Paulo. No evento, houve o seminário “Desempenho e Confiabilidade das Estacas Pré-fabricadas de Concreto como Solução de Fundações Profundas”. O encontro destacou importantes aspectos para um bom desempenho dos produtos como solução de engenharia, englobando desde pontos relativos à fabricação dos elementos até sua efetiva aplicação nos canteiros de obras, passando também pelo controle de qualidade e normalização de todo o processo. Industrial e artesanal Os palestrantes foram os engenheiros Celso Nogueira Correia, especialista em solos e atualmente presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos – núcleo regional São Paulo; Ivan de Oliveira Joppert Júnior, especialista em fundações e mecânica de solos, e Luís Fernando de Seixas Neves, que trabalha com cálculo, projeto e consultoria em geotecnia e fundações. “No Brasil, as estacas confeccionadas industrialmente já alcançam padrões internacionais. O problema está nas estacas fabricadas artesanalmente, onde o controle de qualidade é baixo. Por isso, a necessidade de uma norma própria para o produto”, explica Seixas Neves. As estacas pré-fabricadas de concreto são utilizadas frequentemente em obras onde há solo mole e o terreno resistente encontra-se há vários metros de profundidade. Neste caso, os elementos suportam as cargas da estrutura e as transferem, de forma equilibrada, para as camadas mais profundas e consistentes do solo. Elas são especificadas de acordo com a resistência e o formato, observando aspectos como carga de suporte, seção transversal, área de ponta ou perímetro das estacas. Em relação à seção transversal, as formas geométricas mais empregadas são circulares, quadradas, hexagonais e octogonais, podendo ter área de ponta vazada ou maciça. As estacas também se diferenciam pelo processo de produção, podendo ser vibradas, centrifugadas, extrudadas, e pela armação protendida ou passiva. De acordo com a NBR 6122 (Projeto e execução de fundações), as dimensões do produto podem ir de 15 cm a 70 cm. Já o comprimento máximo deve ser de 12 metros. Se for preciso utilizar estacas mais longas, a norma recomenda emendar as peças com solda. Quanto ao concreto utilizado para a fabricação das estacas, Luís Fernando de Seixas Neves explica que deve ser um material de alta resistência inicial, que possibilite a desforma rápida e cujo módulo de elasticidade seja controlado para que haja um índice de quebra considerado satisfatório em obra. Fonte: Revistas Fundações

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