Falta padrão de qualidade ao pacote habitacional

O programa habitacional do governo "Minha Casa, Minha Vida", além de entregar um milhão de moradias, pode ainda ser indutor de qualidade na construção civil, promover a inclusão social, capacitar mão-de-obra e conscientizar o setor sobre a importância da sustentabilidade. Por essas razões, Roberto de Souza, diretor do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), afirma que esses pontos devem ser considerados pelo projeto. "Não estou inventando a roda. Todos os programas que eu cito já existem. O que precisa fazer é incluí-los no programa do governo", explica. No caso da qualificação profissional, por exemplo, o diretor do CTE cita o Sistema Nacional de Certificação e Capacitação Profissional para a construção civil proposto pela Associação Brasileira de Fabricantes de Materiais (Abramat).

sexta-feira, 15 de maio, 2009 - 09:56
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Outro tópico é a importância de estimular o desenvolvimento tecnológico da construção. Isso já está previsto pelo programa de crédito lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai liberar R$ 1 bilhão para dar suporte a empresas que se envolverem na busca por novas tecnologias construtivas. “O ‘Minha Casa, Minha Vida’ podia estimular ainda mais essa questão.” Por fim, Souza cita a inportância de incentivar a sustentabilidade nas dimensões econômica, ambiental e social. “Para isso, as empresas que desenvolverem a sustentabilidade poderiam ter redução de juros, como uma indução a prêmios”, recomenda.
Construtoras
A Rossi vai replicar os seus princípios de qualidade e sustentabilidade nas construções que se aplicam ao programa do governo. Segundo Rodrigo Martins, diretor do segmento econômico da empresa, “o nosso cardápio é padronizado, não existe artesanato”. Do landbank que comporta até 80 mil unidades residenciais, 4% ou 5% devem ser voltados para a menor faixa do projeto. “Mas isso depende das prefeituras, mercado e da velocidade das aprovações”, afirma.
“A economia de material não se transforma em lucro, a gente vai lucrar com a escala”, afirma Paulo Cury, diretor técnico da Cury. Ele afirma que a empresa utiliza materiais certificados nas construções e, durante as obras, fazem reuso de água. “A manutenção dos empreendimentos é indiferente se é de 0 a 3 ou de 3 a 10. Nós é que fazemos”, afirma. Cury diz ainda que tem medo de haver uma pressão inflacionária sobre os materiais e de faltar mão-de-obra. “Além disso, ainda não foi definida como vai ser a administração dos empreendimentos para famílias de até três salários. Acho que deveria ser feita por um órgão da Caixa e por uma administradora independente, como no caso do PAR [Programa de Arrendamento Residencial].”
Antonio Guedes, diretor de Novos Negócios da Cyrela Brazil Realty lembra que “as unidades construídas pela iniciativa privada têm prazo de garantia conforme lei e é de responsabilidade da própria construtora”. Ele cita a Living, que não teve e nem terá alteração na descrição dos materiais a serem utilizados nas obras. No caso da Atua, braço econômico da Yuny, os fornecedores são os mesmos. “Vamos apenas mudar os materiais de acabamento. Não acredito que o pessoal vai entrar no programa para piorar a qualidade das construções.”
Fonte: Gazeta Mercantil

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