Fungo e bactéria geram biocombustível mais próximo da gasolina que o etanol

A união em laboratório da bactéria E. coli ao fungo T. reesei gera isobutanol, um tipo de biocombustível com mais compatibilidade com a gasolina do que o tradicional etanol. A descoberta é de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e destaque no periódico PNAS.

quarta-feira, 28 de agosto, 2013 - 11:48
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O biocombustível foi gerado ao unir uma mutação da E. coli (já usada em processos semelhantes, de transformação de plantas em açúcares) ao T. reesei. Ambos foram dispostos em um bioreator contendo folhas e hastes descartados do milho. A ação do fungo, então, auxiliada pela da bactéria, transformou o material em açúcares que alimentaram ambas as espécies de micróbios, com espaço de sobra para o excedente tornar-se isobutanol, resultando em um processo mais eficiente do que já se havia conseguido. Dessa forma, o time conseguiu obter 1,88 grama de isobutanol por litro de fluído originado no bioreator, a maior concentração já registrada em processos de geração de biocombustível à base de plantas. “Estamos muito empolgados com a descoberta dessa técnica”, conta o cientista Jeremy Minty na divulgação do estudo. “Os EUA têm potencial para produzir, de forma sustentável, 1 bilhão de toneladas de biomassa anualmente, número suficiente para produzir biocombustíveis que poderiam dispensar o país de 30% de sua produção petrolífera”. O isobutanol gerado na pesquisa provê 82% da energia gerada pela gasolina na combustão, enquanto o etanol se limita a 67%. Além disso, o isobutanol não tem tendência a absorver água (o que evita corrosões e danos ao motor característicos do etanol) e poderia, segundo seus entusiastas, vir a substituir a gasolina – enquanto o etanol só pode ser adicionado a ela. Por fim, ao utilizar partes descartadas do milho, o isobutanol não impacta a produção do vegetal para fins alimentícios, afastando a hipótese de alta dos preços na commodity. A coexistência harmoniosa do fungo com a bactéria surpreendeu os pesquisadores e é um dos pontos altos do estudo. “É que muitas vezes uma espécie domina a cultura presente no recinto, fazendo com que a outra morra. Esse é um problem comum quando se tenta fazer um processo semelhante a esse”, ressalta Minty. O time de pesquisadores agora deseja ampliar ainda mais a taxa de conversão energética do isobutanol. Fonte: Ciência em pauta

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