Greenpeace avalia empresas de tecnologia sobre uso de energia na nuvem

Amazon, Apple e Twitter receberam notas baixas em um estudo divulgado na terça-feira (17) pela organização ambientalista Greenpeace sobre o uso de energia limpa para fazer funcionar a chamada "nuvem de dados" na internet, enquanto Facebook, Google e Yahoo! receberam elogios.

quarta-feira, 18 de abril, 2012 - 13:22
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O estudo, intitulado “Quão limpa é sua nuvem?”, avaliou como as empresas administram as “nuvens”, ou seja, centros de armazenamento de dados on-line. Por razões de custo e espaço, estas companhias desenvolvem grandes servidores ou terceirizam os serviços, às vezes situados em outros países.”Não estamos tentando complicar sua vida, estamos tentando incentivá-los a fazer a coisa certa”, explicou a analista do Greenpeace, Casey Harrell, à France-Presse.”Amamos nossos iPhones, que tornam nossa vida mais fácil, mas eles não devem prejudicar o planeta”, acrescentou.A Apple recebeu uma insuficiente nota “D” pela eficiência energética em centros de dados, a troca de informação sobre o uso de energia e a gestão perante diferentes entidades para fornecer energia limpa.Além disso, levou uma nota “F” na hora de situar centros de dados em locais onde a eletricidade provém de fontes limpas no lugar do carvão, cuja queima é apontada como uma das principais responsáveis pelo aquecimento global.No entanto, a empresa sediada em Cupertino, Califórnia (oeste dos EUA), rejeitou as conclusões do Greenpeace e disse liderar os esforços para favorecer a energia limpa.O novo centro de dados da empresa, situado na Carolina do Norte (leste dos EUA), visa a que mais de 60% de sua energia provenha de fontes renováveis, entre elas uma fazenda solar e a instalação de células de combustível (que produzem eletricidade a partir de uma reação química).Será “o centro de dados mais verde construído até agora” e se somará, no ano que vem, a um em Oregon (nordeste dos EUA) que funciona completamente a partir de energia renovável, afirmou a porta-voz da Apple Kristin Huguet.A Amazon levou notas reprovatórias em tudo, exceto em eficiência energética nos centros de dados, quesito no qual sua nota foi “D”.As empresas de tecnologia tendem a não fornecer detalhes sobre o uso de energia em centros de dados por razões de concorrência e a Amazon alegou que a informação do Greenpeace era “inexata”.”A AWS (Amazon Web Services) acredita que o “cloud computing” (computação em nuvem) é por si mais ecológica do que a informática tradicional”, informou a companhia em resposta a uma pergunta da France-Presse.”Ao invés de que cada empresa tenha seu próprio centro de dados que sirva apenas a ela, a AWS torna possível que centenas de milhares de empresas consolidem seu uso em um punhado de centros de dados na nuvem da AWS”, acrescentou.Para o Greenpeace, embora a meta de eficiência em centros de dados seja alcançável, é preciso optar por energia limpa para salvaguardar o planeta.A tendência crescente de se usar a nuvem para oferecer serviços como enviar e receber e-mails, assistir a vídeos, compartilhar fotos, participar de redes sociais e tuitar, impulsiona a demanda por centros de dados.Se os centros de dados do mundo fossem considerados um país, ocupariam o quinto lugar em termos de consumo de eletricidade em um ranking mundial, segundo o Greenpeace.Um fator importante na localização dos centros de dados é a eletricidade barata, o que faz com que sejam construídos em locais onde se gera energia por queima de carvão, prejudicial para o clima mundial.Os centros de dados são tão cobiçados pelas empresas fornecedoras de eletricidade que as empresas de tecnologia têm influência para pressionar por mudanças para fontes de energia limpa, acrescentou a organização.”O crescimento explosivo dos centros de dados é um grande problema, se continuar vinculado ao carvão, ou uma grande oportunidade”, disse o chefe de imprensa do Greenpeace, David Pomerantz.”Se o setor das tecnologias de informação impulsionar o desenvolvimento de energia solar, eólica e outras fontes renováveis poderia ser um grande fator de mudança”, emendou.O Google tem investido muito em energias renováveis e o Facebook implementou em dezembro uma política para que a disponibilidade de energia limpa seja um critério para construir centros de dados.O Yahoo!, por sua vez, foi um dos primeiros a radicar centros de dados em locais com fontes renováveis de energia.A lista das 14 empresas de tecnologia qualificadas pelo Greenpeace inclui IBM, Microsoft, Hewlett-Packard, Oracle e Salesforce, entre outras.Fonte: Folha.com

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