
A abertura de uma nova rota do transporte de grãos pelo rio Tapajós, no Pará, em abril deste ano, amplia discussões sobre como melhorar a utilização do Porto de Itacoatiara para o escoamento de produtos agrícolas que se destinam à exportação. Empresas privadas já investem em melhorias pelo rio Madeira e estudos da Expedição Safra apontam importância do porto no Amazonas como rota alternativa.A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou na última quarta-feira (9) as previsões para a safra brasileira de grãos em 2013/14. Segundo relatório, o País deve colher 193,8 milhões de toneladas. À medida que a produção de grãos aumenta, uma preocupação: como os produtores transportarão suas mercadorias até os compradores internacionais? A Expedição Safra aprofunda as discussões sobre a logística do agronegócio brasileiro e analisou -nas duas últimas semanas –a estrutura portuária dos Estados do Pará eAmazonas e a produção de grãos de Roraima.Para Ferreira, é importante conhecer pessoalmente a dinâmica de trabalho da região para incentivar a participação mais eficiente no conjunto nacional. “Ano passado, o excesso de produção provocou um gargalo não apenas nas vias terrestres de acesso como também dentro dos portos, que operaram no limite da movimentação, com registros de atrasos e filas de espera que desencadearam prejuízos tanto para os produtores quanto para os transportadores”, lembra.Para evitar que outras safras também se percam, técnicos e jornalistas do projeto conferiram de perto as obras de construção e ampliação de terminais portuários no Pará e no Amazonas, que fazem parte da região conhecida como Arco Norte e é formada por outros quatro portos. “Neste ano, o rio Madeira atingiu a marca histórica de 19,96 centímetros acima do nível normal. Foram três meses de enchente e só há cerca de 40 dias os terminais puderam voltar a trabalhar”, diz.PrejuízosSegundo o gerente de operações Osmar Ruani, os custos com a reforma no terminal já ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão. “Um dos terminais que recebiam em média 10 mil toneladas de grãos por dia ficou debaixo d’água e precisou ficar fechado por 78 dias, por exemplo”. O transporte de cargas pelo rio durante a cheia só não parou graças a um porto, chamado porto organizado, que fica numa região mais alta em relação ao nível do rio. Todos os terminais que ficaram alagados usaram essa estrutura para fazer o escoamento de suas mercadorias. Segundo a administração, o movimento aumentou em 300%.Para o embarque de grãos no porto organizado, a estrutura do cais, que é flutuante, foi reforçada por causa da cheia, mas não houve prejuízo. Em 2013, o terminal embarcou 2,8 milhões de toneladas de grãos, que vêm, principalmente, do noroeste de Mato Grosso e do sul de Rondônia pela BR-364.A Hidrovia do Madeira movimentou 11 milhões de toneladas de cargas em 2013, mas ainda oferece riscos à navegação. As empresas que operam no porto reclamam da falta de sinalização e dragagem no rio. Quem trabalha na hidrovia sabe dos perigos que aparecem principalmente depois que o rio baixa no fim de agosto: os bancos de areia.De acordo com o Núcleo de Obras e Melhoramento das Hidrovias da Amazônia Ocidental, do Ministério dos Transportes, as obras de dragagem no rio Madeira devem começar em julho.Atividade portuária As três estruturas portuárias que foram visitadas pela Expedição em junho têm capacidade de escoamento estimada em cerca de 10 milhões de toneladas. A movimentação tende a ser duplicada nos próximos anos e reduzir os custos de produção em toda a região. Hoje, cerca de 60 milhões de toneladas de soja e milho produzidos no Centro-Oeste e Centro-Norte brasileiros descem o mapa para serem exportadas pelos portos do Sul e Sudeste, conforme estudo da Confederação Nacional de Agricultura (CNA). “Para conseguir aumentar as exportações é preciso ter estrutura de rodovias e ferrovias. Isso nós também vamos conferir nessa viagem, além da influência que os portos do Norte podem ter na movimentação do Sul”, acrescenta o coordenador do projeto.Segundo o estudo, os produtos podem aderir rotas pelo rio Madeira, através do porto de Itacoatiara (localizado a menos de 300 quilometros de Manaus), que é o destino de barcaças que sobem o rio a partir de Porto Velho (Rondônia). “Percebemos que, embora o Amazonas não seja destaque na produção de grãos, pode atuar como roteiro para os grãos produzidos em outras regiões do país que são exportados”, explica.Para diminuir os custos, a soja que é produzida no Mato Grosso e seguia de caminhão para o Sul, hoje pode ir de caminhão até Porto Velho, subir de barcaça até Itacoatiara e embarcar em navios que seguem para o exterior. Atualmente, pelo porto de Itacoatiara circula quase 3 milhões de toneladas de grãos e há o investimento no porto da Hermasa –através do Grupo Maggi para dobrar essa capacidade. O espaço só deve ficar pronto para essa demanda em 2020. O porto de Itacoatiara opera desde 1997. Na época, o volume de cargas não ultrapassava a marca de 90 mil toneladas.Fonte: Portal Amazônia
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