Histórias que inspiram – Mulheres da engenharia: Alzira Miranda

Conheça um pouco da trajetória profissional da Prof. Eng. Alzira Miranda; mulher, forte, guerreira, dedicada, e cheia de determinação. Lutou e continua lutando por seu espaço no mercado de trabalho.


“Quando se fala em engenharia de uma forma geral ou quando se pensa no engenheiro, vem na cabeça o engenheiro de campo, com bota, capacete, com uma trena na mão, e que vai trabalhar com vários homens e só homens vão ser reconhecidos e respeitados, ledo engano! Na verdade, o que a gente ver depois que se forma, é que o que faz que tu permaneças na área e seja reconhecida é tua postura, e não se é homem ou mulher.” Professora Alzira Miranda.
Alzira Miranda, Doutora em Biologia de Água Doce pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e graduada em Engenharia de Pesca pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) se encantou pela engenharia muito nova, em uma feira de profissões. Escolheu a de Pesca, em uma época em que a especialidade ainda não era muito conhecida pela sociedade.  
Se arriscou, mas não desistiu. Ao ingressar na faculdade viu um cenário onde a maioria dos formados no amazonas eram homens de outra capital, e apesar de vivermos em uma bacia onde a pesca é o principal recurso natural, a trajetória não foi fácil. “Minha jornada profissional não foi tão fácil, primeiro porque o curso não era conhecido pela sociedade, embora nós tenhamos feito um curso numa bacia onde a pesca é o principal recurso natural, além disso, outra entrada era ser mulher, a maioria dos engenheiros de pesca no amazonas tinham sido formados em outro estado e a maioria deles eram homens.” “Mas destaco professoras que trouxeram o sonho de aumentar a participação de mulheres nessa área.” Completou
Alzira nos conta que ainda enxerga a mulher muito discriminada na profissão da engenharia no geral, ainda mais, quando querem ir para campo e/ou conquistar um cargo de chefia. “As mulheres na engenharia ainda são muito discriminadas, já vi colega minha ser destratada em outro estado por ser mulher e nortista, então ela tinha vários outros problemas que fizeram com que ela fosse rejeitada e acabou pedindo demissão e voltando para Manaus. Ela conseguiu ficar lá só 8 meses.”
A mão-de-obra feminina é  também escassa no setor primário, muito por conta do fato das mulheres procurarem se dedicar a áreas que tenham melhor entrada para o mercado, no setor primário, apenas 10% dos profissionais são mulheres “Na Eng. de pesca eles preferem contratar engenheiros, no setor primário hoje, 10% só são mulheres e são mulheres que se propuseram a fazer muito mais coisas do que homens fariam. Não é fácil não.” Concluiu 
Ela tinha o sonho de atuar em campo, na agricultura, só que a vida tomou outros rumos. Entrou para docência, apesar de não ser a área de atuação dos seus sonhos, se apaixonou por poder ajudar, ensinar e encaminhar outras mulheres na profissão. “Depois que me formei, o emprego para engenheiros de pesca não era fáceis, daí eu precisei me especializar e fiz mestrado, doutorado, pós doutorado e paralelo a isso eu fui fazendo a parte de docência. Meu sonho era trabalhar na área. Na área de agricultura. Mas na docência, me tornei professora e consegui ajudar vários alunos em diversas áreas, civil, ambiental, petróleo e gás, produção.”
A conscientização e a luta pelos direitos da mulher estão crescendo cada vez mais, ainda enfrentam a diferença salarial, machismo e assédio. E é claro que  ainda há um longo caminho a percorrer, mas abrir portas e mostrar história de mulheres como essas, inspiradoras. Inspira e dar forças a outras.   
“Doçura, simpatia, determinação e capacidade maior de gestão, afinal, as mulheres conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo, conseguem gerenciar a casa, o trabalho, a vida pessoal, os filhos….” Alzira Miranda

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