Impacto ambiental zero na agropecuária é irreal

Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o professor de Biologia Molecular da UnB Elíbio Rech apresentou aos conselheiros federais do Confea, durante reunião do Plenário nesta quarta-feira, a visão da ciência sobre o Código Florestal. Apesar de meritório, segundo o especialista, o novo Código Florestal aprovado ontem pela Câmara de Deputados, "está longe do ideal para atender as demandas do país, necessitando ser aperfeiçoado". O Código "abre uma oportunidade do Brasil sair na frente na discussão sobre práticas de uma nova agricultura sustentável".

quinta-feira, 26 de maio, 2011 - 09:12
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Ele pondera que o novo Código exige reflexão, principalmente no que se refere à infraestrutura da produção agrícola brasileira. Apresentando números que dão conta que a atual população mundial hoje com 6 bilhões de pessoas – das quais um milhão está abaixo da linha da miséria – será de 9 bilhões nos próximos 30 anos e que apenas 10 milhões de hectares são usados das terras agricultáveis de todo o planeta, o professor defende o uso racional das terras agricultáveis já que “alimentar toda essa gente intensificando a produção agrícola é o desafio do século 21”.
Ele esclarece que do milhão de pessoas em pobreza total, a grande maioria está na Índia e na África, países que junto com o Brasil e os Estados Unidos são os que oferecem mais terras à produção agropecuária.
Segurança alimentar
Segundo Elíbio, como o Brasil terá grande responsabilidade na produção de alimentos para atender a uma população que cresce em ritmo acelerado, “o país pode começar por atender às famílias que praticam a agricultura de subsistência. Ao fornecer crédito facilitado e acesso à tecnologia, o país vai permitir que essas famílias aumentem a produção e vendam o excedente. Mantê-las como estão é condená-las à pobreza eterna”, afirma. “É preciso quebrar paradigmas para a inclusão social. O Vale do São Francisco é prova disso”.
“Pensar em impacto zero no meio ambiente quando se fala em produção agropecuária é irreal”, alerta Elíbio, para quem ao se discutir o Código Florestal Brasileiro “é preciso atenção especial ao agronegócio que responde por 33% do PIB nacional”.
Como havia adiantado em entrevista à Assessoria de Comunicação do Confea, o professor Elibio repetiu a um plenário atento ao assunto que: “os números engessam” e que é preciso olhar a questão de delimitação das distâncias de rios, córregos e biomas a serem respeitados pelos produtores agropecuários. Ele acredita que com os recursos tecnológicos atuais é possível que cada terra tenha suas próprias regras de preservação ambiental. “Por meio de satélites é possível localizar, ver dimensões, características de solo, clima e definir as distâncias ideais para cada pedaço”, afirma.
Integrante do grupo de trabalho formado por membros da SBPC e da Academia Brasileira de Ciência que produziu o livro “Código Florestal e a Ciência – Contribuições para o Diálogo -“, Elibio defende que o Brasil deve acompanhar a tendência mundial baseada no binômio meio ambiente e produção agropecuária sustentável.
Fonte: Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Confea
Ascom Crea-AM

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