Indústria de fertilizante do Brasil teme falhas logísticas

A indústria brasileira conta com estoques para atender à forte demanda prevista por fertilizantes, mas o gargalo logístico requer a atenção do setor neste período de consumo mais intenso, em que os produtores se preparam para o plantio da safra de verão, disse o diretor executivo da associação que reúne as misturadoras nesta segunda-feira (27).

segunda-feira, 27 de agosto, 2012 - 13:51
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“Se diminui o estoque e a oferta [de nutrientes] não entra no país na mesma velocidade, pode ter um problema… Daqui para frente vamos ter que acompanhar com cuidado esta questão logística”, disse Carlos Eduardo Florence, diretor-executivo da Ama-Brasil (Associação Brasileira dos Misturadores). O Brasil importa a maior parte do fertilizante consumido no país, enquanto o consumo está estimado para atingir um recorde, com produtores tentando maximizar as produtividades, de olho nos preços recordes da soja e milho no mercado internacional. Segundo ele, além da infraestrutura e logística deficitárias, o setor está preocupado com greves do funcionalismo público e o gargalo nos portos este ano. Ele observa que parte da Receita Federal trabalha em esquema de operação padrão, o que acaba agravando um gargalo logístico que normalmente já é complicado quando se concentram as chegadas de navios carregados com nutrientes –nitrogênio, fósforo e potássio– que serão usados na fabricação do fertilizante. No porto de Paranaguá, principal ponto de entrada de nutrientes do país, dezenas de navios com o produto aguardam para atracar. Tradicionalmente, a demanda por fertilizantes ganha força no segundo semestre no período mais próximo do plantio da safra de verão, entre setembro e outubro, com o início da temporada mais chuvosa. Florence lembra que entre setembro e novembro o volume de entregas de fertilizantes –ou seja, as vendas ao produtor– somam em média 3 milhões de toneladas por mês. O consumo de fertilizantes é estimado em um recorde de 29 milhões a 30 milhões de toneladas, segundo consultorias do setor. A previsão é que a demanda supere a do ano passado, quando os produtores brasileiros consumiram 28,3 milhões de toneladas, uma máxima histórica. As vendas de fertilizantes no Brasil atingiram 14,3 milhões de toneladas entre janeiro e julho deste ano, crescendo 3,5% ante igual período do ano passado, o qual já havia registrado forte demanda, segundo a indústria. Apesar da crescente demanda brasileira, o país figura em quarto lugar no ranking de consumo de fertilizantes, com apenas 6%, contra 33% da China, 17% da Índia e 12% dos Estados Unidos, segundo dados da Anda (Associação Nacional para a Difusão de Adubos).Fonte: Folha

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