Lula prepara um novo PAC como herança para sucessor

Embora enfrente dificuldades para implementar os investimentos previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), em fase de implantação há dois anos, o governo federal já trabalha na definição de um novo PAC, desta vez prevendo obras para o período entre 2011 a 2015. O elaboração do programa, que será executado - ou não - pelo próximo chefe de Estado, foi confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem, em Riade, no segundo dia de sua visita à Arábia Saudita. Lula havia mencionado a intenção de criar um PAC 2011-2015 há uma semana, durante viagem a Campo Grande (MS). Ontem, voltou a falar sobre o assunto, afirmando que o programa poderá poupar dois anos de trabalho de seu sucessor. "Quando chegamos ao governo, detectamos que não tínhamos projetos na prateleira", justificou.

segunda-feira, 18 de maio, 2009 - 10:31
n


Segundo o presidente, em razão da “fiscalização muito rígida” e de trâmites burocráticos, como a elaboração de projetos básico e executivo, pedidos de licença prévia, licitação e demandas judiciais, um mandato de quatro anos não é suficiente para, por exemplo, construir uma usina hidrelétrica.
Segundo Lula, a responsabilidade pelo excesso de entraves “não é culpa de ninguém, é culpa do Congresso Nacional”, disse, incluindo-se entre os responsáveis. O futuro PAC terá os mesmos moldes do atual e preverá obras em infraestrutura.
OPOSIÇÃO
Questionado sobre se havia dialogado com a oposição sobre sua intenção, Lula voltou a demonstrar convicção de que elegerá seu sucessor – desta vez sem mencionar o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff – e reconheceu que não falou com outros presidenciáveis.
“Não preciso de ninguém para fazer o PAC. Até o dia 31 de dezembro de 2010, eu sou o presidente da República. Eu deixarei os projetos. Se quem ganhar as eleições não quiser fazê-los, que faça outros. Mas haverá no Brasil uma prateleira de projetos para as coisas que nós entendemos serem prioritárias.” Em elogio à própria administração, o presidente louvou os resultados do PAC em andamento, definindo-o como “uma demonstração extraordinária que mostra que, quando fazemos projetos, as coisas fluem com muito mais tranquilidade”.
Essa análise positiva do andamento das obras, contudo, não é unânime.Há um mês, um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicou que a União investiu apenas 28% dos recursos previstos no plano em seus dois primeiros anos. Para cumprir as metas, segundo o levantamento, os ministérios precisariam investir R$ 37 bilhões em apenas um ano – o dobro do valor executado nos anos de 2007 e 2008.
Fonte: O Estado de S. Paulo

Veja mais