Marina Silva defende na 68ª Soeaa participação criativa para eliminar corrupção

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva participou de “bate-papo” com alguns jornalistas do evento. Na ocasião, Marina falou sobre a ética da sustentabilidade, a cultura de corrupção no país, os desastres naturais e o código florestal.

quarta-feira, 28 de setembro, 2011 - 16:06
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Alguns minutos antes de ancorar o painel “Rio + 20: Pesquisa e Inovação no Enfrentamento do Aquecimento Global”, da 68ª Soeaa, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva participou de “bate-papo” com alguns jornalistas do evento. Na ocasião, Marina falou sobre a ética da sustentabilidade, a cultura de corrupção no país, os desastres naturais e o código florestal. “A política é algo muito maior do que os palanques. Descobri que posso fazer política fora dos palanques. A política pode ser feita na sociedade e talvez a sociedade esteja precisando mais de mim do que os palanques”, concluiu. Leia abaixo resumo da conversa. Sustentabilidade no Brasil“Um dos maiores desafios é como responder a crise econômica, social e ambiental no contexto dos governos, das empresas e da sociedade de modo geral, além de discutir o papel da ciência, da tecnologia e da inovação em tudo isso. Boa parte dos problemas já tem saídas técnicas. Mas isso não basta. É uma questão de ética também. Já temos conhecimento em termos pedagógicos. Já temos tecnologia. Também temos conhecimento para produzir energia a partir do sol, da biomassa, da água, e mesmo assim prejudicamos a vida na terra com o uso dos combustíveis fósseis. Então o problema é ético”. Anticorrupção: saindo da inércia“Vivemos uma crise política no mundo e no Brasil. No Brasil são os graves problemas de corrupção que todo dia sai nos jornais. A gente pode continuar dizendo que a culpa é da corrupção, da Dilma, do FHC, mas enquanto acharmos que o problema da corrupção é um problema dos governos, vamos atravessar décadas e décadas com corrupção. O problema da corrupção é nosso. Enquanto se achou que o problema da escravidão era um problema do Estado, ela existiu. Quando tomaram o problema para si, quando a sociedade deu sustentabilidade política para que houvesse uma intervenção, fez-se uma mudança significativa. Enquanto a sociedade achou que o problema da pobreza era do governo, nada mudou. Quando a sociedade deu sustentabilidade política, tirou-se 25 milhões de pessoas da miséria extrema. Enquanto o problema da corrupção for dos governos, vai continuar. Quando vi em Brasília a marcha contra a corrupção, com quase 20 mil jovens que se autoconvocaram… É isso que tem que ser feito! É só ver como foi com o ditador do Egito. As pessoas se queixam, mas a queixa não leva a lugar nenhum. Deve-se transformar a queixa em descontinuidade produtiva. Precisamos participar criativamente daquilo que estamos reclamando. Eu sou baixinha. Em vez de reclamar, uso salto alto”. Desastres naturais“Criar sistemas de prevenção e intervenção. Tem que combinar um bom sistema de alerta nos diversos níveis, chegando para as esferas das vilas. Às vezes uma pessoa com um celular pode salvar centenas e milhares de vida. As prefeituras costumam mandar funcionários de baixo desempenho para a Defesa Civil. O que essa pessoa vai fazer na Defesa Civil? Qual o treinamento que se faz, o recurso que se tem? O trabalho deve ser integrado com os profissionais sérios da Defesa Civil, com áreas de refúgio para deslocamento rápido da população, etc. Mas não adianta fazer isso e ir eliminando as matas ciliares, rompendo o código florestal, o que vai levar a mais enchentes”. Código Florestal“O texto que nós temos é um grande retrocesso – anistia desmatadores, retira completamente a proteção dos manguezais, além de retirar o Conama [Conselho Nacional de Meio Ambiente] de regulamentar as intervenções nas florestas, o que na minha opinião é um retrocesso. Se nós não repararmos esse Código Florestal vamos ver o aumento das catástrofes que já estão acontecendo. Precisamos produzir um texto que seja de toda a sociedade e aí apostar que o princípio vai ser cumprido. É mais inteligente aprovarem um bom texto, mediando os diferentes interesses, no lugar de a sociedade fazer uma campanha e o Congresso outra, e a presidenta ter de se indispor ou com a população ou com o Congresso”.Fonte: Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – Confea

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