Matriz energética brasileira precisa de investimento em tecnologias alternativas

No dia 10 de novembro do ano passado, o país sofreu um dos maiores apagões da história brasileira. 18 estados ficaram sem energia em razão de curtos-circuitos ocorridos no sistema de transmissão de Furnas Centrais Elétricas. O fato acarretou o desligamento do Sistema Interligado Nacional, com interrupção de 24.436MW, e levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a realizar fiscalização pontual, resultando uma multa de R$ 53,7 milhões a Furnas.

segunda-feira, 5 de abril, 2010 - 16:26
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Segundo a Exposição de Motivos da Aneel, “o mercado de energia elétrica brasileiro atendido pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) tem a sua matriz energética constituída por cerca de 85% de energia proveniente de usinas hidrelétricas. Na composição desta matriz a usina hidrelétrica de Itaipu binacional, construída por meio de um consórcio binacional formado pelo Brasil e Paraguai representa cerca de 35% do total, caracterizando ainda uma grande dependência elétrica e energética do SIN em relação à geração da UHE Itaipu e ao sistema associado”.
À época do apagão, o plenário do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) aprovou um manifesto onde defendeu que as investigações fossem conduzidas pela Aneel e pelo Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS). Ainda, afirmou que, para dar mais segurança ao sistema elétrico em relação ao fluxo de energia nas linhas e evitar sobrecargas e oscilações, seria necessário aumentar o investimento em inovações tecnológicas para aperfeiçoar a operação do sistema e em fontes alternativas de geração de energia.
Segundo o conselheiro federal eng. eletric. e seg. trab. Martinho Nobre Tomaz de Souza, o país deve ter a consciência de que investimentos precisam ser feitos de imediato para que, no futuro, não passe por novos problemas. “Energias alternativas, energia eólica, pequenos geradores a diesel, tudo isso precisa ser implementado para que, na ocorrência de um evento como o ocorrido, a matriz possa ser alimentada”.
Relatório da Aneel
Como resultados da fiscalização da Aneel, foram constatadas falhas de manutenção nas linhas de transmissão de Furnas que levavam energia da hidrelétrica de Itaipu para a região sudeste. Também, observou-se que a estatal não havia trocado alguns reatores em sua rede de transmissão. Os equipamentos sofreram sobrecarga em julho daquele ano e deveriam ter sido substituídos, o que não foi feito. Ainda, de acordo com o Relatório Fundamentado, “houve demora no processo de recomposição do sistema pela perda das Unidades Terminais Remotas – UTRs devido à deficiência do sistema de supervisão e controle de Furnas”.
Por último, consta do relatório que “a situação em que se encontra o sistema de transmissão de Furnas, sobretudo nas linhas de transmissão e subestações de 765kV, 500kV e 345kV leva a uma necessidade urgente de: manutenção adequada; modernização do sistema de proteção; modernização/substituição das Unidades Terminais Remotas do sistema de supervisão e controle; reciclagem e treinamento de seu pessoal de operação”.
Os documentos referentes à fiscalização podem ser vistos no site da Agência, acessando o seguinte link: www.aneel.gov.br/area.cfm?idArea=38&idPerfil=2.
Controvérsias
Após a divulgação do relatório pela Aneel, o então ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, contestou o documento, afirmando,), que ele não reflete a opinião de toda a agência reguladora, mas de apenas um engenheiro.
Também, à época do blecaute, o economista Ladislau Dowbor alertou quanto ao uso político da chamada crise energética no Brasil. “Um blecaute como o que se teve, só quem não entende acha que estamos fora disso. Tivemos situações assim nos Estados Unidos, Canadá, Europa. No nosso caso, por termos um sistema baseado essencialmente em energia hidrelétrica, dependemos de alguns fornecedores. Por outro lado, isso nos protege porque é uma energia mais limpa. O país está muito bem para o enfrentamento da crise. Fazer o escândalo que se está fazendo é uso político”.
Em sua visão, Martinho Nobre acredita que realmente houve uma falha na manutenção dos equipamentos. “Em minha opinião, eu acompanho o relatório da Aneel. O problema ocorreu em virtude de não ter sido feita uma intervenção a tempo. Faltaram investimentos, por exemplo, para a troca dos relés de proteção da linha de distribuição. Eles se tornaram obsoletos e ficaram sujeitos a esse evento indesejável.”.
Reajustes Tarifários
A Aneel informou também que, com o intuito de aumentar a transparência no processo de reajuste de tarifas de energia elétrica, o índice anual proposto pelas concessionárias passará a ser divulgado no momento em que os pleitos chegarem à Agência. No passado, o documento era divulgado somente no momento da deliberação do processo. Ressalta-se, entretanto, que o valor proposto pelas concessionárias não representa, necessariamente, o valor final calculado pela Agência,que utiliza as regras estabelecidas nos contratos de concessão e a legislação existente.
Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea

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