Mudanças climáticas é tônica de Congresso de Iniciação Científica

Nos últimos 20 anos, 17 foram os mais quentes já registrados. Nos períodos de 1991 a 2000, o nível do Rio Negro se manteve regular com picos de cheia e estiagem dentro do que era esperado. Todavia, nos anos seguintes, as variações ligaram o sinal de alerta, uma vez que medidas elevadas foram registradas tanto no Rio Negro quanto no Solimões.

quarta-feira, 17 de julho, 2013 - 10:34
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Foi o que explicou o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luis Val, durante o 2º Congresso de Iniciação Científica do Inpa (Conic). Realizado pelo Inpa, o Congresso conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). As declarações de Val, por ocasião da palestra magna ‘Mudanças Climáticas e Peixes de Água Doce’, abriu o evento voltado para estudantes de graduação que irão apresentar trabalhos nas áreas de Ciências Biológicas, Agrárias, Exatas, da Terra, Engenharias, Sociais, Humanas e Aplicadas. As apresentações ocorrem até a próxima sexta-feira (19/07), no Bosque da Ciência. “Gostaria de agradecer a Fapeam e ao CNPq que nos ajudaram nesse processo para que vocês, jovens pesquisadores, possam ter o apoio necessário para seus trabalhos”, disse Val. Durante o Conic, o diretor do Instituto apresentou uma linha do tempo sobre a evolução dos extremos de cheias e secas no Amazonas. Ele disse, por exemplo, que, em 2005, o Lago do Manaquiri se transformou em um córrego, com cerca de oito metros de profundidade. “Na seca de 2005, toneladas de peixes morreram pela falta de oxigênio. Em 2009, tivemos uma grande cheia que afetou os municípios amazonenses. No ano seguinte, mais um período de seca extremo e, em 2012, uma cheia também acima do esperado para o Estado do Amazonas”, lembrou. MUDANÇAS CLIMÁTICAS E PEIXES AMAZÔNICOS Com base em sua experiência de 30 anos sobre espécies de peixes amazônicos, Val apresentou a atuação situação das mesmas devido às variações climáticas e as intervenções humanas em seus habitats. O pesquisador explicou que onde há desmatamento algumas espécies de peixes, que se alimentam de sementes que caem das árvores, costumam migrar para outros locais em busca de alimento. Outras espécies de pescados, como o tambaqui, têm sofrido com a alta concentração de CO2 na água, conforme Val. Ele explicou que o tambaqui se sente obrigado a procurar oxigênio próximo a superfície ficando, consequentemente, mais exposto à radiação solar. O resultado são alterações no DNA do referido peixe. “Até o transporte de petróleo pelos rios amazônicos oferecem risco de contaminação aos peixes. Algumas pesquisas sobre o assunto sugerem que partículas de petróleo podem ser encontradas no organismo de alguns peixes no Solimões”, alertou. Durante a palestra, o pesquisador disse que as concentrações de oxigênio e carbono, hoje na atmosfera, são semelhantes aos encontrados em períodos mais remotos do planeta. A diferença está em quanto tempo foi preciso para tais fenômenos. No passado foram necessários milhões de anos e, hoje, os níveis aumentaram nos últimos quarenta anos. Fonte: Ciência em pauta

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