
À primeira vista, ele parece um sujeito meio tímido e pouco conversador, mas à medida em que transcorre a rápida entrevista realizada no hall do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM), ele se descontrai e passa a responder com mais tranquilidade as questões que o repórter lhe faz.
Foi assim que, naquela tarde nublada da última quarta-feira (3), tomei contato com o Tecnólogo em Mecânica pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Marcello Monte Rey, 52, em sua primeira visita à sede do Conselho, após alguns anos afastado de Manaus, motivado principalmente pela busca de novos mercados de atuação profissional.
A ideia da matéria era mostrar personalidades comuns do meio profissional e ao saber disso Monte Rey passou a contar-me um pouco de sua formação acadêmica em Engenharia, que o permitiu manter por certo tempo uma linha de atividades relacionadas basicamente à manutenção de sistemas e redes. Ele fez questão de ressaltar que sua busca por novos conhecimentos, entretanto, o fez enveredar pelo segmento mecânico, em 2012.
Parte de um capital humano especializado, Monte Rey atuou em megaprojetos como a construção de termelétricas, em Pernambuco, a Arena da Amazônia, em Manaus, e no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, interior de São Paulo. Sobre o atual momento econômico para a atividade dos profissionais de Engenharia, ele foi enfático ao relacionar o assunto ao meio político.
“Não há como dissociar o reaquecimento da economia de questões como administração pública e compromisso eleitoral. Temos aí uma carência de política industrial, em que o governo estimule a indústria a assumir os riscos de gastar com desenvolvimento de produtos de inovação em tecnologia. Um ambiente econômico estável atrai mais empresas, que passam a contratar mais e buscar novos valores profissionais no mercado. Assim também acontece nos ramos da Engenharia”, explicou.
Além de economia, escutei atentamente Monte Rey falar um pouco de tudo, passando pela política, cultura, transporte e até artes plásticas modernas, percebendo que ainda mantém no rosto o mesmo olhar contestador típico de pessoas com espírito juvenil, que sabiamente veem o avanço social e as mazelas do mundo com o olhar experiente dos homens de meia-idade.
“Eu sempre procuro me postar com uma visão mais reflexiva, questionadora e até cautelosa, sobretudo em relação ao atual momento político e os donos do poder. É o espírito de rebeldia que me instiga, entusiasma e encoraja. Apesar da minha idade, 52 anos, a juventude ainda se manifesta em mim contra o status quo”, disse.
Monte Rey disse que fez parte de uma geração de jovens que cresceu no momento em que o país experimentava grandes conquistas democráticas, após um período de ditadura militar (quando pensar era proibido) e teve a sua consciência crítica formada num momento em que estavam no poder aqueles que lutaram pela democracia e pela justiça social. Ele fez questão de ressaltar, no entanto, que não é um idealista, mas um realista prático e observador.
“Todos os dias, o que mais se vê são notícias sobre corrupção e práticas antigas da cultura política brasileira. Percebo que o sentido da palavra ‘esperança’ se torna cada vez mais ligado a questões como mudança de comportamento social e político. As pessoas estão cansadas de tanta corrupção e liberalidade. Essa é a visão de um simples cidadão”, finalizou.
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