No transporte aéreo, o serviço desse profissional é fundamental. Muitos dos cerca de 113 milhões de brasileiros que se descolocam pelo ar desconhecem a importância das centrais meteorológicas, mas os aviões não podem decolar sem as previsões climáticas – uma regra internacional de segurança. Cada área do país engloba um ou mais aeroportos, que são monitorados por uma das 68 estações meteorológicas da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
A viagem começa bem antes de o passageiro pisar dentro da aeronave. O plano de voo possui, além das informações aeronáuticas, um briefing com informações sobre: direção, velocidade e temperatura dos ventos para cada rota, pressão, umidade, posicionamentos das frentes frias e áreas com nevoeiro – tudo atualizado a cada 12 horas. Ventos favoráveis à rota do voo significam, por exemplo, economia de combustível, menos tempo de viagem e, principalmente, segurança e conforto para os passageiros.
A previsão do tempo no aeroporto Antônio Carlos Jobim, também conhecido como Galeão, é feita por uma equipe de 26 técnicos e 13 meteorologistas, coordenada pelo meteorol. Maristélio Lima de Sá. O setor vem recebendo visitas de estudantes. Segundo Maristélio, “essa é forma de estimular o gosto pela profissão”, completou.
O ensino da meteorologia no Brasil
Apesar da importância, não só para a aviação, mas também para a economia dos países e o bem-estar das pessoas, faltam estímulos para a profissão decolar no Brasil.
O primeiro curso de graduação foi criado em 1963. De lá pra cá, surgiram mais sete. Em 1981, eram 14 profissionais. Hoje, estão registrados no Sistema de Informações do Confea (SIC) 370 meteorologistas.
O diretor da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET), Alfredo Silveira da Silva, acha necessário transformar o título de meteorologista para engenheiro meteorologista, por meio de um projeto de lei, já “que a base da meteorologia é a mesma da engenharia”.
Ele apresentou a proposta no último Congresso Brasileiro de Meteorologia, ocorrido em agosto de 2008, e obteve boa aceitação dos participantes. Alfredo explica que o próximo passo será debater as propostas com as universidades. Para ele, a mudança no título da categoria visa valorizar a profissão para que mais estudantes ingressem nos cursos.
A ideia será apresentada também no Simpósio de Climatologia, marcado para acontecer em outubro, no Rio Grande do Sul. Até o final de 2009, a SBMET vai disponibilizar um fórum para discussões e contribuições no site da instituição.
“A meteorologia cresceu muito nos últimos anos (pesquisa e ensino), mas o mercado de trabalho é muito flutuante e, muitas vezes, as empresas não pagam o salário mínimo profissional”, afirmou Alfredo, que tem 30 anos de experiência acadêmica e há 18 anos atua no Sistema Confea/Crea.
Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea




