“O sujeito da Renascença não podia fazer uma cúpula, por exemplo, com mais de 40 metros. Eu pude, no Museu de Brasília, fazer com 80. Podia fazer com 100”, conta Niemeyer.
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Esplanada de Obras
Por toda a Esplanada dos Ministérios, o visitante encontra edifícios que surpreendem o olhar. O traço modernista de Oscar Niemeyer está nas seis fontes entre colunas do Palácio do Ministério da Justiça. Ao fundo, é possível ver as cúpulas do Congresso Nacional, que abrigam os plenários do Senado e da Câmara dos Deputados.
O traçado de Niemeyer está também na harmonia e leveza do Palácio do Itamaraty. Chega às colunas desenhadas para dar sobriedade ao edifício da mais alta corte da Justiça brasileira. E se projetam pela Praça dos Três Poderes, para compor o Palácio do Planalto, sustentado nas mesmas colunas que apenas tocam o chão e com destaque para a rampa que dá acesso ao poder. “Esse lugar é praticamente a síntese da estética brasileira para o mundo”, lembra o arquiteto Cláudio Queiroz.
Cláudio Queiroz vê nos detalhes do prédio do Itamaraty o toque do mestre: “Entre o arco e a figura quadrada externa tem uma maneira de negociar com a geometria, para fazer a concordância desse pilar que é esbelto. Extremamente esbelto na visão externa com a parte interna do arco”.
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Ousadia
A ousadia de Niemeyer impõe desafios aos engenheiros encarregados de erguer as suas obras. “Em cada projeto, ele busca uma audácia e leveza maiores. Em cada um, ele quer superar ele mesmo. Isso é Oscar. Cada obra dele não é igual a nenhuma outra, cada estrutura dele não é igual a nenhuma outra”, afirma o engenheiro José Carlos Sussekind.
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Adjetivo monumental
Tem sido assim desde que o presidente Juscelino Kubitscheck começou a cumprir a promessa de campanha de tirar Brasília do papel. Lucio Costa deu traços de cidade ao cerrado, Niemeyer acrescentou o adjetivo monumental.
Para muitos opositores de JK, Brasília foi fruto de um delírio político. O Brasil se endividou para fazer a nova capital do país, construída em três anos e dez meses. Mas ela se tornaria o mais importante ícone dos anos de modernização de Juscelino Kubitscheck.
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Símbolo da arquitetura brasileira
Niemeyer propôs, por exemplo, que as colunas de sustentação do Palácio da Alvorada apenas tocassem o chão. Elas acabam por virar símbolo da nova arquitetura brasileira.
A Catedral de Brasília, por sua vez, também trouxe um novo conceito. Dezesseis colunas se unem para sustentar a cobertura. Os vitrais deixam ver o céu que espalha luz pela igreja. O arquiteto quis que ela fosse bem diferente das escuras catedrais da Idade Média.
O arquiteto Cláudio Queiroz trabalhou com o arquiteto por quase duas décadas e recorda as histórias contadas por Niemeyer sobre a construção da capital. Foram muitas noites em claro por causa dos plenários da Câmara e do Senado.
“O engenheiro Joaquim Cardoso, trabalhando de madrugada, liga para Oscar Niemeyer e diz que conseguiu a fórmula para resolver aquela tangente, para que a curva tivesse aquela leveza que Niemeyer pretendia”, conta Queiroz.
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Mágoa de Brasília
A Brasília de Oscar Niemeyer é Patrimônio Cultural da Humanidade há 20 anos. Embora tenha orgulho da sua obra, o arquiteto guarda uma mágoa: a cidade que sonhou junto com JK e Lucio Costa guarda hoje os mesmos sinais da segregação de grandes e velhas cidades brasileiras.
“Os caminhões e operários vinham de toda parte do Brasil querendo colaborar, pensando que iam encontrar a terra da promissão, mas estão lá nas cidades satélites, tão pobres quanto antes. Não basta fazer uma cidade moderna. É preciso mudar a sociedade. Isso é que é importante”, diz Niemeyer.
Este desejo fez de Niemeyer um arquiteto do espaço público. Para ele, a arquitetura deve estar a serviço do coletivo, privilegiando espaços livres para encontros.
“O que nós queremos na arquitetura, com a mudança na sociedade, não é nada especial. As casas de luxo serão menores. Os grandes empreendimentos urbanos, os cassinos, os teatros, os museus. Tudo isso será maior ainda porque todos deles poderão participar”.
Fonte: Portal G1
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