

BR-319, 45 ANOS. HÁ ALGO A COMEMORAR?
Inaugurada oficialmente no dia 27 de março de 1976, a Rodovia BR-319 que liga Manaus a Porto Velho por seus 885 km representou um marco rodoviário na Amazônia Ocidental. A obra permitiu a interligação da capital amazonense com o restante do País e, via de consequência, trouxe diversos benefícios voltados ao escoamento da produção rural de várias localidades. Representou ainda um modal alternativo para o transporte de insumos destinados ao PIM e de retorno com produtos industrializados. Diversos empregos foram gerados ao longo da rodovia em instalações como hotéis, restaurantes, postos de combustíveis e em empresas contratadas para a própria manutenção e conservação da BR-319. O transporte de pessoas também foi outra grande conquista viabilizada pela operacionalização da rodovia. Some-se ainda a importante presença do Estado favorecida exatamente pela possibilidade de um pronto deslocamento ao longo de toda a extensão da BR-319.
Ocorre que a BR-319 passou a sofrer, ainda no início da década de 80, com as consequências decorrentes da falta de manutenção e de conservação. Seria, todavia, ingenuidade pensar que o desalento ocorreu unicamente em razão da falta de manutenção. Não, a rodovia foi vítima de forças ocultas que insistiam em destruir um patrimônio nacional. Voltar a impor o isolamento rodoviário a Manaus foi o desiderato daqueles que contaminados pelo egoísmo e curvados a outros interesses nada republicanos, permitiram a destruição da rodovia a qual teve a sua trafegabilidade interrompida entre os dois extremos, a partir de 1988, 12 anos após a inauguração oficial.
Vários governos tentaram viabilizar a recuperação da BR-319, mas tudo não passou de falácias. Não havia vontade política e se chegou inclusive a cogitar em transformá-la em uma ferrovia. Enquanto o ensaio político não saía literalmente do papel, diversos amazonenses sofriam – e ainda sofrem – com o isolamento decorrente das inúmeras dificuldades para trafegar, sobretudo no Trecho do Meio (Km 250 ao 655,7).
Porém, atualmente, conquanto as dificuldades para trafegar na Rodovia BR-319 persistam, sobretudo no chamado inverno amazônico (período de elevado índice pluviométrico na região), o que se percebe é a existência da vontade política – que tanto faltou no passado – voltada para a recuperação da rodovia. Nós, amazonenses, nascidos neste solo ou que escolhemos este Estado para viver, temos sim algo a comemorar, porquanto se percebe, de forma cristalina e remansosa, os esforços do Governo Federal para repavimentar a BR-319.
Entretanto, a vigilância de todos deve ser constante. A voz em defesa da repavimentação da BR-319 não pode silenciar; ao contrário, deve ecoar em todas as direções. Ao completar 45 anos, a vontade política que hoje se verifica faz do sonho realidade; a oportunidade chegou e não pode ser desperdiçada. Por isso, há sim o quê ser comemorado, mesmo de forma incipiente.
Neste caminhar, o Crea-AM e o GT da BR-319 reafirmam o posicionamento em defesa das obras de repavimentação da Rodovia BR-319 e reconhecem os esforços do Governo Federal para viabilizá-las.
Parabéns, BR-319!!!
Manaus-AM, 27 de março de 2021.
Eng. Civil Afonso Luiz Costa Lins Júnior
Presidente do Crea-AM
Eng. Civil Rubelmar de Azevedo Filho
Coordenador do GT da BR-319
Eng. Civil Marcos Maurício Costa da Silva
Coordenador Adjunto do GT da BR-319
Demais membros do GT da BR – 319




