
Nativo do Amazonas, o guaraná ganhou o mundo e, sob o olhar curioso da pesquisa agropecuária, vem incorporando novos conhecimentos ao sistema de cultivo. A novidade agora é o despolpamento dos frutos/sementes sem ser necessária a fermentação, por meio de um maquinário adaptado e ajustado para a cultura do guaraná.Essa nova técnica, além de outras informações, vão ser apresentadas no dia 19 de novembro, na sede da Agropecuária Jayoro Ltda., no Município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), durante dia de campo intitulado “Sistema Mecanizado de Processamento Pós-Colheita de Guaraná: Nova Tecnologia, Novo Processo”.Conforme o pesquisador da Embrapa Lucio Pereira Santos, o processamento pós-colheita de guaraná é o segmento da fase produtiva que demanda atenção especial, por ter implicações no rendimento e na qualidade do produto final. “Dada a complexidade das operações de despolpamento, separação das frações cascas, sementes e arilo, e também do difícil processo de secagem e torrefação das sementes, tornam-se impraticáveis essas tarefas de maneira artesanal, quando se trata de grandes volumes de produção, uma característica dos grandes grupos comerciais no Amazonas”, analisou o pesquisador.A mesma lógica se aplica ao guaranicultor familiar. Em decorrência das cultivares superiores lançadas pela Embrapa, a produtividade da pequena propriedade cresceu nos últimos anos, o que acabou dificultando sobremaneira a realização do preparo e beneficiamento das sementes com as metodologias tradicionais.Outros fatores importantes limitam a fase de pós-colheita sem o uso da mecanização adequada, como a necessidade de grandes espaços físicos para fermentação dos frutos, maiores consumos de energia, tempo e mão de obra, além da possibilidade de contaminação microbiológica da massa de grãos, assim como contaminações ambientais, especialmente dos cursos d’água, decorrentes da lavação das sementes. “Todos esses fatores, isolados ou em conjunto, oneram o custo de produção, diminuem a margem de lucro, dificultam a obtenção de qualidade, trazendo também riscos ao meio ambiente”, ressaltou o pesquisador.O maquinário para despolpamento do guaraná sem a necessidade de fermentação foi desenvolvido por meio de uma tríplice parceria envolvendo as instituições Embrapa, Pinhalense e Jayoro. “Quebra-se, assim, o paradigma secular de que para um beneficiamento efetivo havia a necessidade da fase de fermentação dos frutos/sementes”, destacou Lucio.Fonte: Portal Acrítica
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