Número de mortes na construção civil já é o dobro de óbitos registrados em 2011

Ano passado, sete operários morreram nos canteiros de obra, contra 17 neste ano, a maioria terceirizados

quarta-feira, 17 de outubro, 2012 - 10:51
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O número de mortes de trabalhadores terceirizados nos canteiros de obras em Manaus mais do que duplicou neste ano, em relação a 2011. Até terça-feira (16), 15 operários morreram em serviço, contra sete óbitos registrados no ano passado. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas (Sintracomec-AM), ao revelar que essa quantidade representa 90% de todas as mortes do setor, e para tentar conter esse avanço, a entidade estuda a definição de um termo de regularização entre as incorporadoras e os órgãos de fiscalização.  Segundo o vice-presidente da entidade, Cícero Custódio, essa estatística é alarmante e mostra, em muitos casos, o descaso das empresas com os mais de 30 mil terceirizados que o setor emprega em Manaus. Custódio informou que os acidentes, fatais ou não, estão ligados principalmente à falta ou à má qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e à estrutura ruim dos canteiros, como é o caso dos andaimes deteriorados, que acabam colocando em risco a vida dos operários. “As principais funções com maior perigo são os ‘fachadeiros’ (trabalham com a fachada dos empreendimentos), carpinteiros e pintores. Todos esses geralmente são terceirizados. A falta de treinamento é um agravante, porque a empresa às vezes dá para o seu contratado, mas deixa os terceirizados de fora, até para cortar gastos”, explicou Custódio. Para o superintendente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Cláudio Guenka, essa diferenciação é algo que não pode ocorrer. “Quando acontece o acidente, querendo ou não, a empresa principal se torna responsável solidariamente. Mas é fato que falta qualificação das empresas de terceirização, e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) tem trabalhado em cima disso”, avaliou Guenka. O superintendente regional do Trabalho e Emprego (SRTE), Dermilson Chagas, frisou que esse tipo de profissional também é alvo nas fiscalizações. “Nesses casos de acidentes mais graves, geralmente se apura de quem foi a responsabilidade. Em alguns casos, a empresa contratante também pode arcar com esses gastos e garantir o suporte à vítima”, disse Chagas. Fonte: D24AM

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