Essa realidade vem sendo constatada com a presença cada vez maior de estrangeiros no mercado de trabalho nacional. Veiga lembra que em 2006, o Confea analisou o pedido de registro de 34 engenheiros estrangeiros. Esse número cresceu para 47 em 2007. “A perspectiva é de que esse contingente alcance centenas de pessoas em 2008.”, projeta o presidente do Confea que, em seus cálculos, considera a entrada no país de 600 chineses a serem trazidos pela CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) que está sendo construída em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, para produzir coque, uma das matérias-primas do aço.
Os chineses são novidade entre os estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil. O país é mais procurado por espanhóis e portugueses. Os mercados-de-trabalho de São Paulo, Minas Gerais, além do Rio, somente para citar três capitais, também se ressentem e a oferta de bons salários indica a falta de profissionais habilitados. O salário inicial para engenheiros recém formados pulou de R$ 1.500 para R$ 4 mil nos últimos três anos.Radiografia – Um estudo realizado pela parceria que uniu o Confea a CNI, Sesi, Senai e IEL (*), ensina que para se entender o mercado de trabalho de engenharia no Brasil é preciso analisar a estrutura do mercado empresarial e a estrutura do mercado de empresas que contrata engenheiros.
No Brasil, somam 5.603. 311 as empresas que contratam até 49 empregados. Destas 4.703.404 contratam de zero a quatro empregados. As empresas com 500 ou mais empregados são apenas 7.360. As empresas com até 49 empregados concentram 30,57% dos assalariados. As com 500 empregados ou mais, empregam 45,86% e são elas, de médio porte, entre 50 a 500 empregados, que relativamente empregam mais engenheiros. Em média, 56% mais que as grandes empresas e estas 178% mais do que as com até 49 empregados.
As empresas com até 49 empregados somam 5.602.381, e contratam perto de 22 mil engenheiros. As empresas com até 249 empregados têm 30.267 engenheiros em seus quadros. As com até 499, respondem por quase 17mil contratações; com 500 ou mais funcionários, contratam cerca de 61 mil engenheiros. Do total de engenheiros empregados, praticamente a metade se concentra em cinco ramos de atividade, sendo que dois deles estão foram das diretamente relacionadas à produção. Um é formado por empresas que prestam consultoria (16.600), projetos ou de terceirização de serviços.
O outro é a administração pública (defesa e seguridade social). A construção civil – com empresas de até 49 empregados – é o ramo da engenharia que mais contrata, cerca de 19 mil, ou 14,8% do total de 49,2% engenheiros contratados. A consultoria fica com 12,9% das contratações seguida da administração pública, defesa e seguridade social, 10,06%; eletricidade, gás e água quente, 6% e fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias, 5%. Esses cinco ramos são seguidos por: telecomunicações 4,6%; fabricação de máquinas e equipamentos 3,9%; captação, tratamento e distribuição de água 3%; fabricação de produtos químicos 2,8%, fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares 2,5%.
O mercado de trabalho registra poucas empresas que empregam grande quantidade de engenheiros. As que têm em seus quadros até cinco engenheiros representam mais de 60% do mercado. As grandes empregadoras com mais de 100 engenheiros, são apenas 2,8% do total. Empresas empregadoras engenheiros empregados:Até 05 engenheiros: 61,80% 12,48%05 a 10 engenheiros: 17,60% 10,24%11 a 50 engenheiros: 15,80% 25,47%51 a 600 engenheiros: 06% 51,81% Na grande maioria das empresas, aparecem com mais destaque os engenheiros civis, seguidos dos eletricistas e eletrônicos e dos mecânicos.
Segundo o estudo, resultado da parceira das cinco entidades, no geral essas podem não ser as categorias mais contratadas, mas são as mais constantes em toso os tamanhos de empresa. Somente nas que têm de 5l a 100 engenheiros contratados é que os mecânicos cedem lugar aos pesquisadores de engenharia e tecnologia. Quando considera o número de engenheiros contratados e não de empresas contratantes, o estudo mostra um, número menor de grandes empresas, as que contratam 21 engenheiros ou mais acaba sendo responsável pelo maior número de contratações, independente da especialidade do engenheiro. Perfil – Em geral, um engenheiro permanece contratado em média oito anos. As empresas preferem os recém-formados (89%) aos já experientes (11%).
Contratam como estagiário ou trainee 64%, contra 36% e dão treinamento para 41%. Apenas 21% das empresas buscam programas para atrair engenheiros em final de formação ou recém-formados. 79% delas não usam esse recurso. Mas em compensação, 82% das empresas procuram evitar que os engenheiros peçam demissão, oferecendo planos de carreira e salariais específicos, baseados em avaliação de desempenho. Outra forma é a distribuição de lucros, aumento salarial por tempo na empresa e bônus, associado ao desempenho da empresa como um todo. A exemplo de outras profissões o perfil do engenheiro brasileiro precisa ser dinamizado. Segundo Ricardo Veiga, o engenheiro hoje “precisa além de uma sólida formação profissional, falar ao menos um idioma, e ter uma visão ampla de assuntos gerais.
Conhecimento de computação, capacidade de desenvolver projetos, espírito de equipe, disposição de aprender coisas novas, facilidade de se adaptar a situações inusitadas, são outros dos requisitos que facilitam a entrada e a permanência no mercado de trabalho”. Disposição para viajar, honestidade e ética, também contam pontos. Os engenheiros brasileiros, segundo o estudo têm média em torno de 7 quando o tema é ter facilidade de se adaptar ao novo perfil exigido. 7,1% estão abertos à inovação; 6,9% conhecem as inovações mais recentes e 6,2% geram inovação. Quando o assunto é o grau de atualização das escolas de engenharia, o Brasil fica abaixo da média. As instituições de ensino pouco participam do processo de geração de inovação, e têm dificuldade para acompanhar a indústria.
Uma tentativa de mudar esse quadro é o convênio assinado com o MEC que permite ao Confea participar da avaliação dos cursos de engenharia já existentes e a criação de novos. Além da qualidade, a quantidade de engenheiros formados no país também é preocupante, se comparada a outros países. Só para citar um exemplo, enquanto a Coréia forma 80 mil ao ano, o Btrasil fica apenas com 20 mil. Perspectivas – Entre os dados fornecidos pelo estudo realizado pelos cinco parceiros, está uma pesquisa sobre as perspectivas do mercado de trabalho para os engenheiros nos próximos três anos. 62% dos entrevistados acreditam que as contratações de engenheiros vão crescer muito; 40% afirmam que crescerá um pouco e 33% defendem que o nível permanecerá o mesmo.
A possibilidade das contratações diminuírem foram consideradas apenas por 1% dos entrevistados. Os 62% apostam no aumento de projetos, contratados, trabalhos e concorrências. Vêm tendências de crescimento de mercado e da área da construção civil. (*) Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Confederação Nacional da Indústria, Serviço Social da Indústria, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e Instituto Euvaldo Lodi.
Fonte: Confea
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