
De acordo com o agrônomo Hugo de Almeida Dan, um dos coordenadores do trabalho científico, a erva daninha, da espécie Bidens subalternans, conhecida comopicão preto, não morre com a aplicação da primeira dose de pesticida na planta. Nas amostras coletadas em lavouras de soja e milho do município de Vilhena (RO), a planta resistiu até a quarta dose do herbicida. O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Vilhena, Vicente Godinho, diz que tem conhecimento de propriedades da região afetadas com este problema. O agrônomo do Ifro diz que teve conhecimento desta resistência através de produtores da região. “Eles entraram em contato, aí fomos verificar. Para fazer o teste, coletamos algumas amostras da propriedade que já usava herbicida e trouxemos para o campus. Depois fomos a um local que também tivesse picão, mas que nunca tivesse recebido doses do produto”, explica Dan. Em seguida, as sementes colhidas foram semeadas em vasos separados. Sete dias após a germinação o grupo decidiu aplicar a primeira dose de herbicida nas mudas. As amostras coletadas em áreas em que nunca foram utilizados herbicidas, as mudas morreram após a primeira aplicação do produto. Diferente das sementes coletadas em propriedades de Vilhena onde havia histórico da utilização de pesticidas, como explica o agrônomo. Após o primeiro teste, os professores e alunos decidiram aplicar mais doses do produto químico na planta. “Passamos a segunda, terceira e quarta dose na erva daninha, mas nada. Ela só morreu quando aplicamos a quinta dose”, revela o pesquisador. Para Dan, o picão preto encontrado nas lavouras não teve nenhuma mutação genética. De acordo com ele, a planta sofreu apenas uma resistência ao produto aplicado. “É como o corpo humano. Se tomarmos sempre o mesmo remédio, vai chegar o dia em que ele não vai mais fazer efeito, pois o organismo vai ganhar resistência”, explica. De acordo com Vicente Godinho, pesquisador da Embrapa em Vilhena, a solução para os produtores que estão passando por este problema, é a mudança do principio ativo do herbicida. “Também recomendamos a rotação de cultura na propriedade”, explica. Godinho diz que a propagação da erva daninha compromete a produção, pois quando os produtores detectam estas plantas, costumam aplicar doses de herbicidas com mais frequência. “Isso afeta o solo e a lavoura em geral”, salienta o pesquisador. Por se reproduzir com facilidade, Vicente afirma que o picão preto é um risco para as lavouras do Cone Sul. “Cada planta produz centenas de sementes. Elas germinam rápido, quatro dias, em média. O problema está aí. Elas não germinam tudo de uma vez. O produtor passa o herbicida, pensa que morreu, mas dentro de poucos dias novas plantas aparecem. Isso é uma estratégia de resistência da planta”, finaliza Godinho. Fonte: Ciência em pauta
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