
Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos, Brasil e do Reino Unido propõe a diversificação da matriz energética brasileira e dos países amazônicos vizinhos, para reduzir a dependência da região em relação à energia proveniente de hidrelétrica. Eles também querem evitar a construção de grandes usinas hidrelétricas nas partes baixas dos grandes afluentes dos rios amazônicos, redirecionando esforços para usinas menores em trechos intermediários. A justificativa para a proposta é que os governos dos países amazônicos estão investindo cada vez mais na construção de barragens pela Amazônia para assegurar a independência energética e a exploração de recursos minerais, porém isso tem causado grandes impactos sobre as biotas aquáticas e terrestres do mundo, conforme o artigo publicado neste mês, na revista científica Biodiversity and Conservation. A equipe de pesquisadores, dentre eles estudiosos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Jansen Zuanon e Philip Fearnside, afirma que os nove países que compõem o bioma amazônico já construíram 191 barragens em toda a bacia da região e estão planejando desenvolver outras 246 barragens adicionais. As bacias hidrográficas da Amazônia e do Tocantins representam 6% do potencial hidrelétrico global. De acordo com o trabalho dos pesquisadores, que fizeram a revisão na literatura para sumarizar os impactos da construção de barragens na biodiversidade na Amazônia, esses 437 empreendimentos hidrelétricos poderão acabar com habitats raros dos rios da região, como corredeiras e pedrais. Estes locais são o lar de muitas espécies endêmicas, ou seja, de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Segundo a publicação, a expansão na rede de barragens poderá resultar em grandes alterações nos rios amazônicos por obstruir o movimento da fauna aquática, submergindo as corredeiras, inundando as florestas adjacentes e criando ilhas de floresta que não podem sustentar populações viáveis de muitos animais e plantas. Os pesquisadores ressaltam que, embora muitas espécies ameaçadas pelas barragens na Amazônia brasileira estejam formalmente protegidas pela legislação brasileira de serem caçadas ou comercializadas, existem disposições legais que permitem que sejam extirpadas por estes projetos de construções de barragens na Amazônia. Com informações da Ascom | Inpa Edição de texto: Acyane do Valle | CREA-AM Foto: Acervo Philip Fearnside Assessoria de Comunicação do CREA-AM (92) 2125-7127 [email protected]
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