Pesquisadores suíços criam projeto inovador de estradas feitas sem asfalto

O novo processo utiliza brita e cordas entrelaçadas, permitindo um pavimento mais duradouro, rolável e menos poluente

sexta-feira, 2 de julho, 2021 - 16:22

 

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça (ETH) criaram um projeto inovador que pretende transformar as estradas atuais em futuras estradas feitas sem asfalto, através de um braço robótico que utiliza pilares de cordas e cascalho entrelaçados, sem nenhum cimento como aglutinante, com estruturas parecidas com mandalas. 

Para os ensaios mecânicos, os engenheiros utilizaram um braço robótico que desempenhou um papel central nessas “estradas tecidas”. Eles colocaram a corda em um padrão programado sobre as camadas de cascalho, semelhante a uma mandala, e colocaram cinco dessas camadas de brita e corda, umas sobre as outras, em uma caixa de teste – o piso da caixa foi coberto por uma esteira de borracha para simular a deformabilidade do solo sobre a estrada. Isso foi suficiente para mostrar que não é preciso usar nenhuma corda especial: O pavimento se manteve coeso usando cordas comuns, como as usadas para embalagem.

O projeto deu tão certo, que o robô foi otimizado para a pesquisa, e a técnica conseguiu criar avenidas mais resistentes e duráveis. Porém, ainda estão sendo testadas técnicas de construção assistida por robôs para a construção de estradas, que até agora só haviam sido usadas na engenharia estrutural.

Justificativas

A equipe de engenheiros liderada pelo professor Gramazio Kohler, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça (ETH), mostrou que os pilares de cascalho construídos com 80 cm de altura e 33 cm de diâmetro, podiam suportar uma pressão de 200 kN, o que corresponde a uma carga de, aproximadamente, 20 toneladas só de brita e cordas, sem cimento.

Além deles, pesquisadores do Instituto EMPA- também na Suíça, Martin Arraigada e Saeed Abbasion, também decidiram explorar a técnica para verificar essa possibilidade de substituir o asfalto – que consiste em uma mistura de brita e um aglomerante- o betume ou piche, simplesmente por brita ou cascalho.

Devido as técnicas atuais gerarem grandes impactos ambientais, pelo fato do betume ser extraído do petróleo bruto e liberar poluentes durante a produção, a aplicação e o uso do asfalto; o piche também torna o asfalto suscetível a rachaduras e deformação, principalmente após as chuvas e enchentes nas cidades. Portanto, o projeto apresenta inúmeras vantagens, como permitir um pavimento mais duradouro, rolável e menos poluente.

Apesar de inovadoras, as pesquisas de Martin Arraigada e Saeed Abbasion ainda não resultaram em um produto final pronto para ser utilizado na construção de estradas. Testes dinâmicos de carga com pressão de rolamento, semelhantes às condições extremas que os pavimentos rodoviários têm de suportar, serão realizados em breve, e a equipe se prepara para fabricar estruturas maiores e mais realísticas, onde possam ser feitos testes de rodagem e frenagem. 

(Fontes: Nanowerk News, ETH e Empa /Edição: Samara Roriz/ Imagem: Empa)

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