
Esses dados constam em estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), envolvendo 166 empresas de 15 Estados. O diagnóstico será divulgado no 84º Encontro Nacional da Indústria da Construção, que acontece entre hoje e sexta-feira, em Minas Gerais.A análise mostra que, apesar da produtividade do trabalhador ter se expandido 5,8% entre 2003 e 2009, a de capital (que considera o retorno dos investimentos em máquinas e equipamentos) ficou negativa em 3,5%. Segundo a economista da FGV, Ana Castelo, uma das responsáveis pelo levantamento, o efeito do investimento no aumento da produtividade é gradual e um pouco mais demorado. Com isso, a produtividade total do setor totalizou 1,2% no período.Entre 2003 e 2009, de acordo com a pesquisa da FGV, o salário dos trabalhadores do setor subiu à taxa média de 4,5% ao ano e, portanto, ficou abaixo da taxa de crescimento da produtividade da mão de obra. Esse cenário é considerado preocupante. A maior escassez de mão de obra no período recente tem pressionado os salários e os ganhos de produtividade do trabalhador não foram suficientes para cobrir esse custo adicional, informou o estudo. Em 2009, o salário médio do trabalhador teve um aumento de 7,6%, enquanto a produtividade apresentou alta de 4,2%.Para o economista da CBIC, Luis Fernando Melo Mendes, esses dados apontam que a produtividade na construção civil continua crescendo, o que para muitos era visto como uma dúvida, porém, o aumento da produtividade não compensa a alta dos salários que tem sido puxada pelo crescimento econômico. Na avaliação dele, sem investimentos em qualificação, a tendência é de que a produtividade da mão de obra continue se desacelerando.Para conseguir o desejado salto na produtividade, as principais iniciativas se referem ao treinamento de pessoal e às condições favoráveis de investimento em máquinas, equipamentos e processos produtivos – o que depende de medidas que envolvem as entidades setoriais e os governos, destaca o documento.De 2003 a 2009, conforme o estudo, a taxa média de crescimento das empresas formais de construção (com cinco ou mais pessoas ocupadas) foi de 11,2% ao ano, o que é mais do que o dobro da taxa do setor (5,1% ao ano). O pessoal ocupado nas empresas formais registrou expansão de 8,6% no período analisado.O levantamento aponta que em 2003 apenas 19,5% dos trabalhadores da construção possuíam vínculo formal de emprego, com registro em carteira. Em 2009, esse indicador chegou a 30,1%. Com isso, o contingente de trabalhadores saltou da faixa de 1 milhão para 2 milhões. Em 2009, existiam quase 63 mil empresas formais ativas.Fonte: Mútua
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