“No que se refere a fontes energéticas, buscamos priorizar as mais sustentáveis e que nos proporcionassem maior aproveitamento energético. Obviamente pela localização da edificação, nossa primeira alternativa foi o uso da energia solar, que é uma fonte de energia renovável, inesgotável, limpa e gratuita”, explica a engenheira Patricia Faria Vasconcellos, sócia de Creato e coordenadora da equipe no Concurso.
O sistema de iluminação também recebeu atenção especial no projeto. Através da substituição de luminárias convencionais por outras mais eficientes que, além de consumir menos energia, dissipam menos calor, a equipe cortou quase 80% do consumo de energia. A energia necessária veio de células fotovoltaicas articuladas e automatizadas instaladas na fachada. A equipe também lançou mão de coletores solares tipo Fresnel para neutralizar quase 45% da carga térmica da edificação.
Após essa etapa, foi a vez do sistema de ar condicionado, que foi reprojetado para operar quase sem necessidade de energia da concessionária. A alteração foi possível graças aos rejeitos térmicos dos moto-geradores que alimentam os chillers a absorção. A água gelada que não puder se produzida por energia solar ou cogeração será produzida por queima direta de gás natural, que por se tratar de uma fonte energética menos nobre que a eletricidade, alivia o sistema energético da cidade. Com isso, apenas 20,3% da água necessária será produzida por queima direta.
“Com todas estas medidas e atendendo ao Schedule de ocupação proposto, podemos afirmar que todo o edifício poderá operar com 100% de capacidade energética atendida, sem necessidade de comprar energia da concessionária elétrica, pois se baseiam em energia solar e gás natural”, comenta Patricia.
Ela comenta também que os sistemas fotovoltaicos e de geração de energia por moto-geradores foram projetados em paralelo com a rede de eletricidade da concessionária. “Isto faz com que, em caso de falta de insolação suficiente, ou em falta de gás natural, o edifício continue sendo abastecido com até 100% da energia elétrica necessária e mesmo com a falta simultânea de eletricidade e gás natural, o prédio continuará com 100% da iluminação operante e com 44,3% do seu ar condicionado em funcionamento e com direcionamento para áreas prioritárias, através de sistemas de automação”, complementa.
Todo o projeto resultou numa economia de energia de quase 65%, graças à conjugação da aplicação de tecnologias existentes e disponíveis no mercado com a vontade de mudar a matriz energética das edificações do Brasil.
A equipe finalista ligada à Creato é composta pelos engenheiros Marco Tulio Vasconcellos, Patricia Vasconcellos, Miquéias Assunção e Luciana Maron; arquitetos Silvio Romero Motta, Adalgisa Mesquita e Mariana Messina e pela administradora Gisela Farhat.
Fonte: Mútua Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea
Ascom Crea-AM
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