Recursos do FNHIS para estados e municípios dependerão de conselhos gestores em funcionamento

Estados e municípios sem conselhos gestores instituídos ou em funcionamento não poderão receber recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. Esta é uma das resoluções que, aprovada ainda hoje pelo Conselho Nacional das Cidades - CNC, será anunciada pelo Ministério das Cidades nos próximos dias.

sexta-feira, 22 de outubro, 2010 - 12:29
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No comando da 26ª reunião anual do Conselho, na nova sede do Ministério das Cidades, em Brasília, Elcione Macedo, secretário executivo, esclarece que essa era uma decisão a ser tomada desde a criação da Lei 11.124, de 2005, e que o CNC vai sugerir ao governo federal que adote a medida.
É preciso estabelecer o sistema de gestão para os projetos referentes à moradia popular. Estados e municípios tem que ter o fundo com o plano, uma legislação especifica local e um gestor formado por representantes das autoridades públicas locais e a sociedade civil – os movimentos populares participam em 25% do Conselho -. Não tínhamos isso institucionalizado desde que a lei foi aprovada, e desta vez o Conselho apresenta uma resolução sugerindo que o conselho gestor nacional e o governo federal tomem providências e normativas impedindo que municípios e estados que não tenham conselhos gestores instituídos ou em funcionamento recebam recursos do FNIS.
Tônica – Macedo acredita que apesar de o Conselho ser consultivo, ao assessorar o governo e indicar caminho tem grande densidade política e em geral suas recomendações são seguidas. Essa é uma tônica desse governo.
Divididos em comitês técnicos, os conselheiros reunidos há três dias, trataram de temas como o planejamento e a gestão do solo urbano, o que envolveu regularização fundiária da Amazônia Legal, a política de prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos e a avaliação dos Planos Diretores Participativos. Copa do Mundo de 2014, pavimentação e mobilidade urbana e até ações previstas no planejamento para 2011 do Departamento Nacional de Trânsito relacionadas com o funcionamento das cidades, também foram tratadas numa pauta que somou 16 ítens.
Macedo citou ainda, o tema de abertura da 26ª reunião e que tratou dos Desafios para a Gestão Ambiental Urbana, com a participação de João de Deus Medeiros, diretor substituto de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, e Celso Carvalho, secretário nacional de Programas Urbanos.
Eles estabeleceram um debate sobre as alterações do Código Florestal e sua influência no meio urbano. Assunto extremamente complexo que envolve os Códigos Florestal e Ambiental como um todo, as leis dos Crimes Ambientais, da Mata Atlântica e temos as resoluções do Conama, que são deliberativas e devem ser seguidas pelos órgãos estaduais e municipais de meio ambiente. Isso causa um emaranhado de legislação que às vezes resulta em uma equação sem solução para a condução dos projetos dos municípios.
O secretário executivo lembra também que uma das características do país é exatamente a carência de capacidade institucional de estados e municípios para tornar suas propostas e projetos sustentáveis do ponto de vista global.
Ele chama a atenção para o fato de o Conselho considerar que para receber recursos do governo federal, os projetos têm que apresentar a documentação referente à sua regularidade fundiária, e ambiental, o projeto executivo, as condicionantes sociais e planos diretores locais, além das condições da leis que regulam a contratação pelo poder público. “Lemos como burocracia todas essas exigências, mas é consequência da legislação que temos”, afirma.
Macedo aconselha que os municípios se preparem tecnicamente para enfrentar esse emaranhado que vem lá desde a Lei de Meios de 2004, a Lei 4320, passa pela reforma da Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Código Ambiental, a Lei 8666 e as de diretrizes orçamentárias dos respectivos níveis, e os planos plurianuais,etc. “Temos uma escadaria de legislação para cumprir. Para esses projetos serem globais, e termos resultados macros, dependemos cada vez mais do micro, no nosso caso, da organização dos municípios é onde tudo acontece”.
Fonte: Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Confea
Ascom: CREA-AM

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