Setor plástico do Polo Industrial de Manaus demite mais de 7 mil

As demissões atingiram todas as 109 empresas do setor. De janeiro de 2012 a maio de 2013 a categoria contava com 14 mil trabalhadores

quinta-feira, 23 de maio, 2013 - 11:06
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O setor plástico, uma das bases da cadeia produtiva do Polo Industrial de Manaus (PIM), apresentou em 17 meses, uma redução de 50% nos postos de trabalho. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Plástico (Sindplast), Francisco Brito, de janeiro de 2012 a maio de 2013 a categoria que contava com 14 mil trabalhadores amargou a perda de quase 7 mil postos de emprego. Ainda segundo o presidente, as demissões atingiram todas as 109 empresas do setor, com destaque negativo para Lite-On Mobile (antiga Thermos), que tinha 1.200 trabalhadores e hoje conta com apenas 250; a Foxconn do Brasil que demitiu todos os 900 funcionários e fechou as portas; Além de Masa da Amazônia e Pastore da Amazônia demitiram mais de 400 trabalhadores cada. O representante dos trabalhadores explica ainda que, apesar da alegação das empresas de que as demissões se deram pela a falta de demanda, na verdade os trabalhadores foram prejudicados pelos Processos Produtivos Básicos (PPBs) aprovados pela Suframa, que facilitam às empresas fazerem importações de componentes do Polo Asiático, principalmente da China. A exigência do Sindicato é que empresas do PIM sejam incentivadas a comprar componentes produzidos aqui, reduzindo a concorrência com os chineses. “O sindicato está cobrando da Suframa uma mudança de postura. Estamos exigindo mudanças nos PPBs que obriguem as empresas a produzirem os componentes aqui no PIM. Essas mudanças que só beneficiama importação dos bens finais prejudicam as empresas de componentes”, acredita. Francisco Brito afirma que nas quatro reuniões realizadas entre os trabalhadores e a Suframa, a direção da autarquia sinalizou positivamente em relação às mudanças propostas, mas sempre elas “sempre ficam na gaveta”. Ele deu um prazo de três meses para que as mudanças sejam implementadas, caso contrário a categoria – que nas palavras dele é a categoria que mais emprega no PIM – já planeja mobilizações.“Se essas mudanças não acontecerem até agosto nós vamos nos mobilizar para forçar uma tomada de atitude pela Suframa. Temos que mostrar para a Suframa que ela precisa se mexer. Nós estamos com esperança.Não dar para cruzar os braços e ver os trabalhadores sendo demitidos. Retomada Apesar dos números negativos do setor, o diretor da Masa da Amazônia Peter Kermanar está otimista. Ele acredita que a chegada do verão e a proximidade de grandes eventos esportivos, como a Copa das Confederações e Copa de 2014, poderão alavancar as vendas de condicionadores de ar e televisores, impulsionando assim o setor plástico.“A gente espera uma retomada para o final de junho ou julho – que marca o início da alta estação do setor de eletrônicos. No mês de maio a coisa permanece como está, mas a partir de junho a gente acredita que haverá uma retomada no mercado de televisores e também começa a alta estação no mercado de condicionadores de ar”, disse. Ele lembrou também que existem novas empresas interessadas em vir para Manaus, fato que poderá ajudar na recuperação do mercado de transformação plástica. Com relação à causa das demissões na empresa, Peter Kermanar afirmou que tanto os componentes chineses, como o desaquecimento do mercado foram os responsáveis. “Ambos os fatores foram responsáveis pelas demissões. O mercado de plástico foi bastante afetado pelas importações e também pela retração do mercado, que não aconteceu somente no nosso polo, todo o setor industrial sofreu recessão”, justificou. Procurado pelo Jornal do Commercio, o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, alegou que não poderia atender às ligações. Fonte: Portal Amazonia

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