Setor primário representa R$ 4 bilhões para o Amazonas

Deputado e secretário de Produção Rural esclarece que ficará no comando da pasta e fala sobre investimentos e crescimento do setor no Amazonas

quinta-feira, 14 de fevereiro, 2013 - 10:20
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Nesta entrevista ao Jornal do Commercio, o secretário Eron Bezerra confirma sua decisão de preferir a Sepror à Câmara Federal, a despeito dos apelos do seu partido, o PCdoB, para permanecer em Brasília. Segundo ele, pesaram em sua decisão suas responsabilidades com o setor primário do Estado. “Representamos hoje R$ 4 bilhões para a economia do Amazonas”, afirma. Jornal do Commercio – O senhor vai ficar na Câmara Federal ou prefere permanecer secretário de Estado? Eron Bezerra – No momento, eu estou deputado. Tomei posse desde o dia 10 de janeiro. No dia 25 eu me licenciei. Sou deputado, mas estou licenciado porque o governador Omar Aziz me fez um apelo para eu continuar o trabalho desenvolvido na Sepror e concluir os mais de 50 projetos que nós temos em execução neste momento. Apesar do apelo que a direção nacional do PCdoB me fez para ficar na Câmara Federal, em Brasília, e desenvolver o trabalho parlamentar, que, modéstia à parte, eu sei fazer razoavelmente, por outro lado a gente tem consciência de que está contribuindo para a estruturação do setor primário do Estado do Amazonas. Temos mais de 50 projetos em execução, que vão do Bacalhau da Amazônia à recuperação de estradas vicinais, casas populares para seringueiros e agricultores, kits sangria, autossuficiência na produção de alimentos, polo de piscicultura. Entendi que seria muito temerário deixar isso tudo de lado. Até que outra pessoa monte a sua equipe e recomece o trabalho, a população do Amazonas teria um enorme prejuízo. O senhor optou, então, pela Sepror? Eu fiz essa opção e escrevi um artigo a respeito em que fundamento, em um texto denominado “Opção pelo Campo”, que o Parlamento é o único poder democrático, plural, único local onde todas as correntes de opinião estão presentes, e deixo claro o meu respeito e a minha convicção em relação ao Parlamento. Mas, apesar disso, digo no artigo que, no momento, eu sou mais útil ao povo amazonense na Sepror do que na Câmara Federal. Porque tenho outros colegas que podem continuar o trabalho na Câmara, mas na Sepror eu já iniciei um trabalho e a substituição da minha equipe geraria um grande prejuízo ao trabalhador amazonense e ao povo amazonense. Não seria um prejuízo apenas para o Governo do Estado e para a Sepror. Temos consciência do papel da Sepror para a economia do Estado. Nós saltamos de 4.38 de PIB para 7%, ou seja, representamos hoje um valor da ordem de R$ 4 bilhões, é isso o que é o setor primário do Amazonas hoje. E isso foi feito com muito sacrifício, com muita dedicação, com uma equipe bastante motivada, e eu sou daquele tipo que acha que a gente não pode ficar apenas reclamando, pois executivo é para executar. No Parlamento você fala, critica, mas no Executivo quem não tiver a visão de executar fica para atrás. Diagnóstico é feito pela academia, mas no Poder Executivo nós temos que executar nossas ações. Ninguém pode dizer que não teve condições de fazer. Se não tiver condições, eu entrego o cargo, é assim que eu raciocino. O senhor tem focado na mudança da economia do campo, historicamente fincada na agricultura familiar. Que avanços, de fato, foram obtidos em busca da modernidade? Primeiro, nós elaboramos uma política, foi a primeira providência que eu tomei ao chegar na Sepror, baseada em cinco grandes programas que vão desde o aprimoramento legislativo, passando pela infraestrutura e aumentando o valor do produto que é a agroindústria, e está aí a nossa Fábrica de Bacalhau, e a expansão da produção em busca da autossuficiência alimentar, e a elevação do padrão socioeconômico do trabalhador do campo. E dentro dessa política estruturante há a compra de 100 patrulhas mecânicas, que nós vamos levar às comunidades agrícolas para modernizar as relações de produção no campo. Não posso imaginar que vamos trabalhar, em pleno século 21, à base de enxada e terçado. É preciso que a tecnologia chegue para todos, a tecnologia não pode ser privativa de grandes produtores, ela tem que ser acessível a qualquer trabalhador. Então, além das patrulhas que a Sepror vai doar às comunidades, também existe uma linha de financiamento via Governo Federal, que permite que qualquer grupo de produtores, não só individuais, tenha acesso a financiamento para carros, caminhões. Quer dizer que não há hoje problemas de financiamento para o agricultor? Hoje eu tenho a felicidade de dizer que o Brasil não tem mais problema de recursos para financiar o trabalhador. As dificuldades são coisas do passado, um passado em que o PFL e o PSDB governavam o país. Com o governo Lula, e hoje aprofundado pelo governo Dilma Rousseff, esse problema não existe mais, ao contrário, sobra dinheiro. Tanto é que o governador Omar Aziz proclamou isso recentemente em sua mensagem à Assembleia Legislativa. Só não deu um dado de referência: a meta de financiamento no Estado do Amazonas era da ordem de R$ 30 milhões por ano, e nós chegamos em 2012, que só vai fechar no dia 28 de fevereiro deste ano, a R$ 200 milhões. Passamos de R$ 30 para R$ 200 milhões. Esse é o volume de financiamento que nós conseguimos colocar no campo amazonense. Já fica evidente a facilidade para a piscicultura, para hortaliças e para outras culturas. Nós temos uma grande capacidade de investimento e não há nenhuma dificuldade acerca da mecanização, tecnologia, análise de solo, com a ajuda da Embrapa. Vamos fazer 20 mil análises de solo, o que facilita tudo para o produtor. Logo, estamos modernizando as relações de produção no campo. Os gestores municipais têm ajudado em todo esse processo? A mentalidade evoluiu? Eu já tive contato com quase dez prefeitos que se elegeram nas eleições de 2012. Para minha felicidade, o entendimento que eu tenho é que há uma clara percepção quanto a importância do setor primário para os municípios. E aí é uma coisa que, aparentemente, seria muito simplório compreender. Porque como se poderia imaginar que, digamos, um município como Envira, Pauini, Amaturá, tivesse outro atrativo que não o setor primário? Como é que eles vão desenvolver sua economia? Fora do setor primário não há outra solução? O Estado do Amazonas tem Manaus, que tem a Zona Franca. O município de Coari tem seu petróleo e Presidente Figueiredo tem o seu minério, tem cassiterita. Afora esses três municípios, todos os demais têm como âncora central o setor primário. Os novos prefeitos felizmente têm compreendido isso. Acredito que a nova safra de prefeitos aposta que a economia do Estado deve ser ancorada no setor primário, que é a única maneira que eles têm de gerar emprego e renda em seus municípios. Nesse particular, o Governo do Estado está à inteira disposição, como propositor, como estimulador. Ainda neste mês de fevereiro vamos fazer uma reunião com todos os prefeitos e secretários municipais de agricultura para debater os programas que existem, as linhas de financiamento disponíveis, para dinamizar as economias dos municípios. Nós temos condições de financiar mil produtores em cada um desses municípios. Sabe lá o que é isso, tirar mil pessoas da porta de cada prefeitura? O prefeito que virar as costas para isso será porque estará interessado apenas na manutenção de sua política de fisiologismo. Fonte: Portal Amazônia

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