Números da Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social (FGTAS)/Sine também comprovam o crescimento das ofertas de trabalho na construção civil: entre janeiro e maio do ano passado, havia 2,6 mil vagas no setor. Neste ano, o número passou para 7.314. Na avaliação de Melvyn Fox, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o emprego na construção “voltou a ser atrativo”. Não por acaso, profissionais capacitados já começam a virar artigo raro:
– O problema é a formação do novo funcionário – alerta José Paulo Grings, vice-presidente do Sinduscon.
Para tentar aplacar a carência de trabalhadores, a entidade realiza diferentes ações. Uma delas é o investimento na qualificação profissional, por meio de parcerias. Na semana passada, por exemplo, o Sinduscon fechou um convênio com o governo do Estado para a capacitação da mão de obra prisional. Além disso, vai iniciar uma campanha publicitária “forte” – com direito a outdoors e jingle – para recrutar profissionais para a construção, resgatando a autoestima no setor.
Com pelo menos oito empreendimentos em andamento – entre obras próprias e terceirizadas -, o diretor da Melnick Even, Juliano Melnick, afirma que a escassez de profissionais “era um problema esperado” desde que começou o “boom” do mercado imobiliário e a oferta de crédito. Só nos próximos 90 dias, a empresa – que desde 2008 ampliou o quadro de 121 para 230 funcionários diretos – vai precisar contratar seis engenheiros, três mestres de obras, quatro almoxarifes e um funcionário administrativo, as chamadas funções de fiscalização. Não estão na conta vagas supridas por empreiteiras terceirizadas contratadas para a realização de obras.
– A reposição salarial está cada vez maior e há mais oportunidades de trabalho também – avalia Melnick.
Para o diretor técnico da Goldsztein Cyrela, Marco Antonio Rodrigues, é cedo para falar que falta mão de obra, mas como a procura é maior do que a oferta, já é possível dizer que “há uma dificuldade grande” – proporcional ao nível de aperfeiçoamento exigido:
– Quanto mais qualificado, mais difícil. Os engenheiros, por exemplo, estão supervalorizados – acrescenta.
Em um primeiro momento, a alta demanda provoca essa disputa e valorização do profissional, mas a médio prazo, avalia Rodrigues, o cenário será outro, com as empresas investindo em treinamentos internos.
Empresas e entidades fazem parceria para qualificar
Tiago Silvestre, 24 anos, de Guaíba, que era servente, decidiu aproveitar uma oportunidade oferecida pela Melnick para se qualificar. No ano passado, fez um curso de carpinteiro e viu a renda aumentar cerca de 40%, hoje em torno de R$ 1 mil. Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Sinduscon, a empresa capacita profissionais – hoje, forma uma segunda turma, de pedreiros.
– O curso foi uma oportunidade a mais para crescer – comemora Tiago.
Fonte: Mútua Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA
Ascom CREA-AM
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