Segundo Machado, a integração do Sistema Confea/Crea com os sistemas públicos e privados só se fará de forma sustentável se for precedida de ações e práticas de valorização profissional e fortalecimento das organizações profissionais. Para isso, destaca os mecanismos legais e as ferramentas sociais capazes de intensificar a interação e integração entre o Sistema e a sociedade. “Esse é o desafio; e não é pequeno. A sociedade não reconhece, ainda, que nosso Sistema seja o pólo formulador de políticas públicas no país. Mesmo colaborando com a produção de cerca de 70% da riqueza nacional, ou seja, do Produto Interno Bruto (PIB), a tecnologia representada no Sistema Confea/Crea não é ouvida pelos que traçam as políticas públicas no Brasil”, comenta.
De acordo com o presidente do Crea, na realidade, o Sistema carrega um fardo histórico desde sua fundação, em 1933. “São cinco paradigmas: os profissionais estão distantes do Sistema; a sociedade não nos reconhece como pólo formulador de políticas públicas; a ética profissional não desenvolve a contento seu papel junto aos profissionais e sociedade; os estudantes de nossas categorias estão distantes, apesar de ter sido criado o Crea-Jovem para quebrar esse paradigma; e o sistema profissional, a reboque do sistema de ensino, foi quebrado e vencido com a resolução 1010/05, que trata da matriz do conhecimento, e esta foi a maior revolução do Sistema nos últimos 30 anos”.
A situação apresentada acaba contrastando com o cenário mundial da atualidade. “O mundo está em transformação, requerendo mudanças e respostas rápidas e eficazes por parte dos entes públicos e privados, em beneficio da sociedade. O Brasil já é a 8ª economia mundial e em 2016 será a 5ª potência econômica. No país, já há sinais de abertura e reconhecimento de que não se faz desenvolvimento nacional sem a engenharia, arquitetura e agronomia, palavras do próprio presidente da República”, lembra.
Nessa conjuntura, as oportunidades para o setor estão se potencializando. A descoberta do pré-sal, a realização da Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016 são exemplos disso. Mas surgem também os desafios. “Não haverá integração sustentável sem a prática da valorização profissional e do fortalecimento das Entidades de Classe”, afirma Machado. Segundo ele, o ponto de partida para esse processo é a participação. “Sem participação não iremos construir uma Agenda de integração com a sociedade. Existem cinco ‘palavras mágicas’ para quebrar a inércia e iniciar o processo de construção, interação e integração dentro do Sistema Confea/Crea e a sociedade, entes públicos e privados: participação, interação, estudo, entusiasmo e liderança”.
E como mecanismos de superação das condições atuais, o presidente do Crea apresenta, por último, alguns subsídios que na sua visão são importantes para atingir o objetivo almejado. Entre eles, destaca-se a implementação de ações políticas para que o Sistema participe do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (órgão consultivo da Presidência da República); a criação de frentes parlamentares em todas as Assembléias Legislativas pela valorização da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, a exemplo das criadas no Distrito Federal e Minas Gerais; e o fortalecimento e criação de Fóruns de Entidades de Classe Regionais e de Conselhos Profissionais, bem como do Crea-Jovem e Crea-Sênior.
Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea




